Os estados de São Paulo e Santa Catarina concentram mais da metade dos impactos provocados pelo novo pacote de tarifas anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Segundo dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), dos US$ 7,4 bilhões em exportações atingidas pela tarifa adicional de 25%, cerca de US$ 3 bilhões correspondem a produtos exportados por São Paulo.
O estado paulista responde sozinho por 41,6% do valor total das exportações afetadas, o equivalente a aproximadamente 20% de tudo o que São Paulo vende para o mercado norte-americano. Em Santa Catarina, o cenário é ainda mais sensível proporcionalmente: 68% das exportações catarinenses destinadas aos Estados Unidos serão impactadas pela nova medida.
Diante do cenário, a ApexBrasil anunciou um plano de R$ 130 milhões para apoiar empresas brasileiras na diversificação de mercados internacionais, reduzindo a dependência das exportações para os Estados Unidos.
Paraná também deve sentir os efeitos
No Paraná, a principal preocupação está no setor madeireiro. De acordo com a ApexBrasil, cerca de 30% da madeira importada pelos Estados Unidos tem origem no Brasil e, desse volume, 66,7% é produzido no Paraná.
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou que os impactos não se restringem às empresas brasileiras.
“Isso é ruim para as empresas do Paraná que trabalham com esse setor. Isso é ruim para quem importa madeira nos Estados Unidos. Isso é ruim para a construção civil de lá, para quem vai comprar casa. Ou seja, isso tem impacto na inflação americana”, afirmou.
Tarifas entram em vigor em 22 de julho
A confirmação da nova taxação foi feita pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, alegando supostas práticas comerciais consideradas “desleais”.
O governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos norte-americanos e rejeita a medida. As novas tarifas entram em vigor no dia 22 de julho e devem atingir aproximadamente 19,2% do total das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.
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