Encontro fortalece protagonismo de mulheres da Amazônia Urbana periférica em Manaus

Meio Ambiente Representatividade

No último domingo (2), o Espaço Cultural Sereia Mística, em Manaus (AM), recebeu o “Encontro de Mulheres da Amazônia Urbana”, uma iniciativa do projeto Filhas da Floresta que reuniu atuantes nas áreas da arte, saúde, assistência social e comunicação para compartilhar trajetórias, fortalecer redes e inspirar novas lideranças femininas da capital amazonense. A programação contou ainda com transmissão simultânea pelo Instagram.

Da esquerda para a direita: Lidiane Cristo, Giuliana Fletcher, Cida Ariporia e Silvia Brito. (Foto: Setembro de 1997)

Realizado pelo Instituto Arumã, em parceria com o Instituto Rouanet e o projeto Filhas da Floresta, o encontro teve patrocínio da Plié e apoio cultural do Espaço Cultural Sereia Mística. A programação gratuita reuniu um público de diferentes territórios urbanos de Manaus para um momento de escuta, diálogo e celebração da potência das mulheres amazônidas.

Participaram da roda de conversa a jornalista Giuliana Fletcher, integrante do projeto Filhas da Floresta, representando Manaus (AM), a rapper indígena e uma das pioneiras do Hip Hop amazonense Cida Ariporia, a agente de saúde Silvia Brito e a assistente social Lidiane Cristo. Na ocasião, cada convidada compartilhou sua história de vida, os desafios enfrentados em seus territórios e o caminho percorrido para se tornar referência em sua área de atuação.

As falas evidenciaram como a educação, a arte, a atuação comunitária e o compromisso com as pessoas dos territórios periféricos se tornaram ferramentas de transformação social. Em comum, as participantes destacaram o orgulho de representar as comunidades onde nasceram e cresceram, reafirmando a importância de ocupar espaços de decisão e inspirar outras meninas e mulheres amazônidas.

(Fotos: Setembro de 1997)

Representando Manaus no projeto Filhas da Floresta, Giuliana Fletcher compartilhou sua trajetória como mulher amazônida periférica nascida e criada no Conjunto Itacolomi, na Zona Leste da capital amazonense, localizado entre o bairro Armando Mendes e a Comunidade da Sharp. Descendente de uma família vinda de comunidade ribeirinha a cerca de seis horas de Maués, município conhecido como a Terra do Guaraná, no Amazonas, a jornalista relembrou a influência das mulheres de sua família em sua formação pessoal e profissional.

Em seu depoimento, Giuliana contou que o processo de mudança para o Rio Grande do Sul marcou também uma retomada de suas origens e de sua identidade amazônida. A experiência de vivenciar a maior enchente da história do estado e, posteriormente, atuar como repórter durante a maior seca já registrada no Rio Negro consolidou seu envolvimento no ativismo climático e sua compreensão sobre os impactos das mudanças climáticas na vida das populações amazônicas.

Giuliana Fletcher, 28 anos, é uma jornalista manauara que atua como ativista pelo protagonismo de meninas e mulheres da Amazônia Urbana. (Foto: Setembro de 1997)

A jornalista também apresentou ao público sua participação no Filhas da Floresta, projeto que, há cerca de um ano, reúne dez mulheres de diferentes territórios da Amazônia brasileira para registrar suas histórias por meio da produção de documentários individuais. Em seu filme, Giuliana destaca sua própria trajetória, tendo a avó como principal protagonista e referência de vida, revelando as conexões entre ancestralidade, território e identidade.

Outro momento abordado foi a participação do grupo na COP 30, realizada em Belém (PA), onde as integrantes do projeto estiveram presentes em espaços de incidência política e diálogo sobre justiça climática, levando as vozes de jovens lideranças amazônicas para um dos principais agendas climáticas internacionais.

O grupo completo do Filhas da Floresta esteve presente na COP 30, ocorrida em novembro de 2025, em Belém do Pará. (Foto: Larissa Gaynett)

Para Giuliana Fletcher, o encontro simboliza um passo importante na ampliação do impacto do projeto para além do documentário.

“O Filhas da Floresta nos mostra que existem muitas meninas e mulheres transformando seus territórios todos os dias. Nosso papel é contribuir para que essas histórias sejam conhecidas, valorizadas e inspirem novas lideranças. Quando uma mulher encontra espaço para contar sua própria história, ela abre caminho para que outras também reconheçam a potência da própria voz.”

O projeto segue em andamento com a produção dos documentários, eventos e com a construção de novas formas de apoio ao protagonismo entre mulheres da Amazônia. É possível acompanhar o grupo por meio do Instagram @somosfilhasdafloresta, onde publicações frequentes demonstram os avanços e realizações em diversas localidades.

Texto: Glam Art Press

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