Muita gente lê e muita gente quer ler no Brasil, diferente do que as más línguas falam. Tanto assim que a Bienal Internacional do Livro de São Paulo de 2026 é um dos maiores eventos do gênero, aumentou em mais de 20% o espaço esse ano, dura 10 dias consecutivos e, ainda, conseguiu os ingressos de metade dos dias.
Ao chegar lá já ainda no primeiro dia, no final da tarde, vi alguns autores nacionais comemorando que já esgotaram seus livros nas vendas, com gráficas e editoras correndo para repor nos próximos dias. Não foi erro de cálculo, foi uma demanda gigante por conhecer autores nacionais de qualidade em vários gêneros diferentes.
Além do pavilhão principal, o normal das outras edições( e que já comentarei mais aqui), tivemos duas áreas novas. Um pavilhão secundário menor com pequenas editoras, palcos para autógrafos e área de alimentação própria, uma local bem mais calmo para respirar e sem tantas filas.
E, interligando os dois pavilhões, havia um túnel com uma das principais novidades deste ano: editoras independentes de quadrinhos nacionais. Não é o único lugar que estão, mas o principal ponto delas.
Claro que empresas de grande porte como a Harper Collins e a Companhia das Letras estavam com filas grandes para entrar e comprar . Porém, mais do que uma feira de livros em promoção, o que mais me atrai na bienal é descobrir obras novas e ver diretamente seus artistas, algo que deu pra fazer tranquilo com a editoras de pequeno e médio porte, além de brindes e espaços instagramáveis.
O fato desse ano existir uma competição oficial de qual o estande mais bonito estimulou ainda mais o capricho dos expositores.
A organização ficou bem melhor, sendo muito mais fácil de localizar.
A comida ainda tem preço elevado devido ao alto valor de aluguel de espaço em São Paulo, mas a própria Bienal recomendava trazer lanches de casas e não era difícil achar combos de refeições completas por 50 reais, refeições que não eram só fast food.
Porém, nem tudo são flores. Apesar de mais organizado que nas edições anteriores, ainda tivemos problemas sérios . Casos de roubos de livros, intoxicação alimentar, um cosplay se insinuando para adolescentes, ausência de uma sala sensorial para neuro divergentes e de filas preferenciais, pontos que exigem maior fiscalização e uma reorganização da distribuição dos espaços. Botar as maiores editoras do país quase ao lado uma da outra gera caos pelo número de visitantes, é fundamental uma redistribuição.
O evento mostra o tamanho gigantesco do nosso mercado literário e como existe espaço para múltiplos eventos menores pipocarem como a Flifantasy e a Offbienal.
Luiz Cenanecchia do canal Monstros e Aventuras





![]()
