O Cinema do Cineasta Andrei Tarkovsky

Cinema
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A Arte de Esculpir o Tempo no Cinema de Andrei Tarkovsky🎬🎥

Marcelo Kricheldorf

Andrei Tarkovsky, um dos mais influentes cineastas da história do cinema, deixou um legado profundo com sua abordagem única à arte cinematográfica. Em seu livro “Esculpir o Tempo”, Tarkovsky apresenta sua visão sobre o cinema como uma forma de arte que transcende a narrativa convencional e busca capturar a essência da própria vida. Neste artigo, vamos explorar a essência do cinema como arte do tempo, a influência da pintura e da literatura no cinema de Tarkovsky, o papel do diretor como escultor do tempo e outros aspectos importantes de sua filosofia cinematográfica.
Para Tarkovsky, o cinema é uma arte que trabalha com o tempo de forma única. Ele acreditava que o tempo era a matéria-prima do cinema, e que o diretor deveria “esculpir” o tempo para criar uma experiência imersiva e contemplativa para o espectador. Isso é alcançado através do uso de planos longos, ritmo lento e edição elíptica, que permitem ao espectador absorver a atmosfera e refletir sobre os temas apresentados.
A formação artística de Tarkovsky teve um impacto profundo em seu estilo cinematográfico. Ele foi influenciado pela pintura russa e pela literatura, especialmente pelas obras de Dostoiévski e Tolstói. A influência da pintura pode ser vista na composição meticulosa de suas cenas, enquanto a literatura o influenciou a explorar temas profundos e complexos em seus filmes.
Tarkovsky via o diretor como um escultor do tempo, que molda e dá forma ao tempo para criar uma experiência única para o espectador. Ele acreditava que o diretor deveria ter controle total sobre o processo de criação, desde a escrita do roteiro até a edição final do filme.
A filosofia do tempo de Tarkovsky é central em sua abordagem cinematográfica. Ele acreditava que o tempo não é linear, mas sim uma interação complexa entre passado, presente e futuro. Isso é refletido em seus filmes, que frequentemente apresentam narrativas não lineares e planos longos que permitem ao espectador experimentar o tempo de forma mais subjetiva.
Tarkovsky foi criticado por sua abordagem lenta e contemplativa, que alguns consideram tediosa. No entanto, ele acreditava que o tédio era uma resposta válida à complexidade e profundidade da vida. Seus filmes frequentemente apresentam longos planos e cenas que permitem ao espectador absorver a atmosfera e refletir sobre os temas apresentados.
A espiritualidade é um tema central nos filmes de Tarkovsky. Ele acreditava que o cinema poderia ser uma forma de explorar questões existenciais e espirituais profundas. Seus filmes frequentemente apresentam temas religiosos e metafísicos, e ele via o cinema como uma forma de capturar a essência da experiência humana.
Tarkovsky teve um impacto profundo no cinema contemporâneo. Ele influenciou gerações de cineastas, incluindo Stanley Kubrick, Terrence Malick e Denis Villeneuve. Seu estilo único e sua abordagem filosófica ao cinema continuam a inspirar novos cineastas e artistas.
O legado de Tarkovsky é complexo e profundo. Ele é lembrado como um cineasta visionário que desafiou as convenções do cinema mainstream e criou uma forma de arte única e profunda. Seus filmes continuam a ser estudados e admirados em todo o mundo, e sua influência pode ser vista em muitos aspectos da cultura contemporânea.
A arte de esculpir o tempo no cinema de Andrei Tarkovsky é uma experiência única e profunda que desafia os espectadores a refletir sobre a natureza da existência e da experiência humana. Sua abordagem filosófica e contemplativa ao cinema continua a inspirar novos cineastas e artistas, e seu legado permanecerá como um testemunho da importância da arte cinematográfica na cultura contemporânea.

Aqui está uma lista de seus filmes:

  1. “O Assassino” (1956) – curta-metragem, direção e roteiro de Andrei Tarkovsky e Aleksandr Gordon.
  2. “O Violinista e o Rolo Compressor” (1962) – curta-metragem sobre a vida e obra do pintor russo Andrei Rublev.
  3. “A Infância de Ivan” (1962) – primeiro longa-metragem de Tarkovsky, baseado em uma história de Vladimir Bogomolov.
  4. “Andrei Rublev” (1966) – filme biográfico sobre a vida do pintor russo Andrei Rublev.
  5. “Solaris” (1972) – adaptação da novela de ficção científica de Stanislaw Lem.
  6. “Espelho” (1975) – filme autobiográfico que explora a infância e a memória de Tarkovsky.
  7. “Stalker” (1979) – adaptação da novela “Picnic na Estrada” de Arkady e Boris Strugatsky.
  8. “Nostalgia” (1983) – filme sobre um poeta russo que viaja à Itália para estudar a vida de um compositor russo.
  9. “O Sacrifício” (1986) – último filme de Tarkovsky, uma reflexão sobre a natureza da existência e da arte.
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