Análise do filme: Crepúsculo dos Deuses. (1950)

Critica de Filmes

Dirigido por Billy Wilder e estrelado por: William Holden, Gloria Swanson, Erich von Stroheim, Buster Keaton, Fred Clark e Cecil B. DeMille.

É um dos melhores filmes de Billy Wilder para mim. Sou muito fã desse diretor. Eu o considero um dos meus cinco melhores diretores da era dourada de Hollywood e esse filme é uma de suas obras primas.

Mesmo esse filme tendo 75 anos, fala de um tema bem atual. E qual seria? O declínio de Hollywood e sobre atrizes mais velhas ficavam meio que no esquecimento. Algo que eu preciso dizer é que Glória Swanson na época, estava afastada das telas já há alguns anos e representou uma mulher que também estava. A diferença é que sua personagem estava obcecada por isso e a atriz não. Há participações especiais de atores e diretores consagrados como Buster Keaton e Cecil B. DeMille.

Esse filme é considerado noir misturado com drama. E tem elementos chaves para isso.

A trama fala da transição do cinema mudo para o cinema falado. Onde muitos atores não conseguiram se adaptar muito bem e Hollywood estava em caos. Vivendo uma crise econômica muito grande. A indústria de sonhos, como pode ser chamada estava em decadência. Roteiristas também estavam em crise. O que é o caso do personagem do William Holden. Com um roteiro não linear. A história começa de uma forma inusitada: com o que poderia ser considerado final e o personagem vai contando o que aconteceu com ele.

A trama está centrada em dois personagens. Joe Gillis (William Holden), um roteirista que há muito tempo não consegue escrever e está desempregado. Ele está atolado em dívidas e não tem nem onde cair vivo. Joe está prestes a perder seu carro já que os cobradores estão lhe perseguindo. E em uma dessas fugas, ele encontra uma mansão estilo gótico, que já está se deteriorando.

Nessa mansão mora Norma Desmond (Gloria Swanson), uma estrela do cinema mudo que caiu no esquecimento com a chegada do cinema falado. Isolada do mundo, ela vive em seu mundo de fantasia, cercada de lembranças e fantasias. Ela acredita que ainda é um nome de peso que tem muitos fãs esperando a sua volta. E acredita que o grande diretor Cecil B. DeMille ainda irá chamá-la para algum filme épico.

Norma inclusive escreveu um roteiro de um filme que ela considera se tornar um épico. Ela está obcecada por isso e há fotos suas na mansão inteira. Ela vive com o Mordomo Max Von Mayerling (Erich Von Strohein), seu ex-marido. Ele apoia essa fantasia de Norma. Mantendo a ex-atriz iludida com cartas de fãs que ele mesmo escreve.

Assim que Joe entra na mansão do qual ele achava abandonada, dá de cara com Max. Norma confude Joe com alguém que viesse ajudá-la com um macaco. Quando ele explicou que era um roteirista e a reconheceu, Norma aproveitou e mostrou seu grande roteiro. Um projeto que ele achou delirante. Ele notou seu desequilíbrio emocional, mas também viu uma oportunidade única de recomeçar.

Joe aceita a oportunidade de trabalho. Ele iria revisar o roteiro e deixa-lo mais apresentável. E passa a morar na mansão. Ele desenvolve uma relação um pouco conturbada com Norma. Ele sente pena dela, porém ao mesmo é seduzido e fica maravilhado com as coisas que ela paga para ele. Fora os presentes caros que ela vive dando de presente.

Norma tem uma dependência emocional extrema com Joe. E ele fica dividido entre o bem estar material e estar preso a uma mulher frágil e mentalmente instável.

Norma não aceitava ser contrariada e muito menos ouvir um não. E chegou a ter pequenos surtos quando isso acontecia. Joe conhece Betty Schaefer (Nancy Olson), uma jovem idealista, namorada de um amigo de Joe por quem ele começa a nutrir sentimentos por ela.

Bette e Joe começam a trabalhar em um roteiro juntos, e ele fica com esperanças de que essa seria a melhor forma de recomeçar. Mas as saídas de Joe com a intenção de se encontrar às escondidas com Betty foram descobertas.

Norma fica desesperada e ameaça o suicídio. Algo que já tinha tentado algumas vezes. Todos nesse filme são bons de lábia, manipuladores. A briga sai do controle quando ele fala que a ex-atriz vive uma ilusão. Que ninguém quer o seu retorno.

Essa revelação destrói Norma e um surto psicótico ela toma uma decisão um quanto precipitada quando ele tenta sair da sua vida.

Será que ele fez o certo? Norma era uma narcisista e tinha uma necessidade extrema de admiração. Ser rejeitada era algo que a corroia. As caras e bocas que ela fazia eram muito engraçadas. Ela não tinha tolerância a receber críticas ou alguém impor limites a algo que ela fazia. E Max, o mordomo, sabia disso. Ela vivia em um mundo totalmente fantasioso e fora da realidade. Tinha medo de ser abandonada. E isso a cegava. Norma era uma mulher extremamente dependente.

O que vocês acharam desse filme? Para mim é uma das obras primas de Billy Wilder e não é a toa que ganhou 3 Oscars: Melhor Roteiro, Melhor Direção de Arte (Preto e branco) e Melhor trilha sonora.

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