Direção: Andrei Tarkovski
Com: Dimitri Miluytenko, Irma Raush, Stepan Krylov, Nicolai Burlyayev, Valentin Subkov, Valentina Malyavina
“Quando um filme não é documentário, ele é sonho”, escreveu Ingmar Bergman em seu livro A Lanterna Mágica.
E é no espaço do sonho que se mistura à realidade que se localiza a filmografia de Tarkovski.
Em seu longa de estreia, esse espaço fica mesclado, até porque o comitê artístico da União Soviética queria que o recém-formado cineasta seguisse o padrão vigente do realismo socialista. Apesar disso, o diretor manteve a estrutura onírica e várias outras ousadias técnicas em seu filme, sendo o tempo não linear uma delas.
Usar um preto e branco muito escuro em determinadas cenas também é uma dessas escolhas. São justamente as tomadas de guerra e dor que se contrapõem às lembranças de momentos felizes com a mãe, onde uma réstia de sol clareia os longos planos abertos.
O roteiro baseia-se no conto Ivan, de Vladimir Bogomolov, que também não apreciou algumas das escolhas da adaptação, especialmente a inclusão dos sonhos, por considerar difícil a mistura entre sonho e realidade.
A infância roubada do protagonista, assim como a de tantas crianças na Segunda Guerra, é tratada de uma forma bela, e a interpretação do ator Nicolai Burlyayev é muito focada no olhar, sendo notável para alguém tão novo.
O final acaba tendo um toque documental, ao misturar as comemorações do fim do conflito, a descoberta dos cadáveres da família de Goebbels e os arquivos das vítimas soviéticas, onde vemos o destino de Ivan.
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Por incrível que pareça não assisti não um filme desse diretor, tenho Solaris na minha coleção, sei da importância dele para a sétima arte, parabéns pelo artigo ficou excelente
Veja esse que é bem acessível, realmente os filmes desse diretor são difíceis..
Ficou show de bola o seu artigo.
Parabéns.
Obrigada Samuca 😊
Grande filme! Tenho ele no meu acervo e está disponível no YouTube. Pretendo revê-lo pela terceira vez futuramente. O final do filme é trágico para o protagonista. Acabei de dar um spoiler, mas é um filme da década de 60 que acredito que muito apreciador do cinema como arte já tenha visto. Parabéns pela resenha, Natasha!
Eu mesma dei… Obrigada, um filme muito bonito, fotografia maravilhosa, e revi hoje no YouTube para escrever um texto fresco.