Horror é uma produção que me chamou bastante a atenção pela maneira como constrói sua narrativa. Em vez de apresentar uma única história de terror do início ao fim, o longa utiliza uma estrutura de antologia, reunindo diferentes curtas-metragens em sequência.
Essa escolha de montagem me trouxe imediatamente uma lembrança da franquia V/H/S. Não sei se essa foi necessariamente uma intenção dos realizadores, mas a estrutura me remeteu bastante à ideia de assistir a diferentes histórias de terror reunidas dentro de uma mesma produção.
E acredito que essa dinâmica funciona muito bem porque cada segmento apresenta sua própria atmosfera, seus personagens e suas situações de horror, permitindo que o filme transite por diferentes possibilidades dentro do gênero.
Quando penso em referências brasileiras para esse tipo de produção, também encontro uma conexão interessante com aquelas antigas histórias de terror e lendas urbanas que costumávamos acompanhar na televisão. Porém, Horror apresenta essas referências de uma maneira muito mais cinematográfica, utilizando recursos técnicos que demonstram um cuidado especial com a produção.
E esse é um dos aspectos que mais me agradaram.
O filme apresenta boas atuações, efeitos práticos, maquiagem e figurinos muito bem trabalhados, elementos fundamentais para uma produção de terror. Em um gênero no qual a criação de criaturas, ferimentos e situações de violência pode determinar grande parte da experiência do espectador, esses recursos fazem diferença.
Outro ponto que considero muito importante é a identidade brasileira presente em algumas das histórias.
Alguns segmentos receberam títulos inspirados em expressões populares e elementos da cultura nacional. Um exemplo é “Malhar o Judas”, que utiliza como referência uma tradição folclórica e religiosa realizada no Sábado de Aleluia, relacionada à punição simbólica de Judas Iscariotes.
Outro segmento recebe o título “Encosto”, trazendo uma expressão muito presente no imaginário popular brasileiro.
Gosto muito quando uma produção nacional não tenta esconder sua identidade para parecer com o cinema estrangeiro. Pelo contrário: quando consegue utilizar elementos da nossa própria cultura para construir histórias de gênero, o resultado pode se tornar ainda mais interessante e criar uma identificação imediata com o público.
Horror consegue fazer isso.
Ao mesmo tempo, o longa não economiza na violência gráfica.
Para quem gosta de slasher, sangue e efeitos práticos, existe bastante coisa interessante para encontrar aqui. Algumas das histórias apostam em cenas bastante violentas, enquanto outras trabalham mais diretamente com criaturas e elementos sobrenaturais.
O segmento “O Gato”, por exemplo, me trouxe algumas lembranças de Evil Dead, principalmente pela maneira como utiliza determinados elementos visuais e pela intensidade do horror apresentado.
Já em “A Estranha”, a maquiagem utilizada me lembrou bastante Hellraiser. Essa associação, para mim, demonstra como o filme dialoga com diferentes referências do cinema de terror, mas procura adaptar esses elementos à sua própria linguagem.
E é justamente aí que percebo um dos méritos da obra: conhecer o gênero é também conhecer suas referências.
Quando uma produção utiliza determinados recursos de maquiagem, efeitos ou construção de criaturas, é possível perceber que existe um repertório cinematográfico por trás daquela criação. O filme conversa com clássicos do horror, mas também encontra espaço para inserir elementos brasileiros.
Outro grande destaque para mim é Joel Caetano.
Além de assumir a direção, ele também participa como ator em grande parte dos segmentos apresentados. Ou seja, sua presença está tanto na frente quanto atrás das câmeras.
E considero que ele consegue desempenhar bem essas duas funções.
Como diretor, demonstra conhecimento sobre aquilo que deseja construir visualmente e, como ator, consegue participar de diferentes histórias sem fazer com que sua presença prejudique a dinâmica das narrativas.
Também é interessante observar como os diferentes segmentos permitem que o longa explore possibilidades variadas dentro do terror. Em vez de ficar preso a uma única fórmula, a produção consegue experimentar diferentes situações, personagens, criaturas e formas de provocar medo.
Isso faz com que o ritmo seja constantemente renovado.
Como espectador e, principalmente, como alguém que gosta muito do gênero de terror, esse foi um dos aspectos que mais me agradaram. Sempre existe uma curiosidade para descobrir qual será a próxima história e qual caminho o filme vai seguir.
No fim, Horror é uma produção que demonstra que é possível fazer terror brasileiro com identidade, criatividade e qualidade técnica.
O longa dialoga com grandes referências internacionais, utiliza elementos conhecidos pelos fãs do gênero e, ao mesmo tempo, incorpora expressões, tradições e características que fazem parte do imaginário brasileiro.
Para mim, essa mistura funciona muito bem.
É uma obra que não demonstra vergonha de ser brasileira e, justamente por isso, consegue encontrar sua própria personalidade.
Se você é fã de terror, especialmente de antologias, slasher, violência gráfica, efeitos práticos e histórias sobrenaturais, acredito que Horror merece ser conhecido.
Como amante do gênero, gostei bastante da experiência e certamente indicaria o filme para outros fãs do terror.
Horror mostra que o cinema nacional também pode explorar o gênero com liberdade, criatividade e personalidade. E, mais do que simplesmente produzir histórias assustadoras, consegue provar que o terror brasileiro tem espaço para experimentar, criar e conquistar seu próprio público.
Sinopse:
Se prepare para uma viagem inusitada onde o limite é a sua imaginação.
Direção: Joel Caetano
Elenco:
Joel Caetano, Mariana Zani, João Caetano, Richard Rodrigues, Crispin Tomas, Walderrama dos Santos, Kika Oliveira, Ivete Zani, Davi de Almeida, Danilo Baia, Isabela Mariah, Luiz Carlos Batista e Maria Mancini.
Filme disponível na plataforma da univFilms:https://theunivfilms.com
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