O influenciador Felipe Neto em um vídeo publicado nas redes sociais relembrou uma polêmica de 2021 envolvendo o Ministério da Saúde do governo de Jair Bolsonaro e uma proposta sobre o uso de eletroconvulsoterapia (ECT), conhecida popularmente como eletrochoque, no Sistema Único de Saúde (SUS).
O influenciador criticou duramente a gestão da saúde pública durante o governo de Jair Bolsonaro e que um órgão técnico da saúde surpreendeu o país ao mandar um documento preliminar abrindo margem para o tratamento de austistas severos com eletrochoque. Felipe Neto chamou isso como uma vergonha, completa vergonha.
Em dezembro de 2021, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no SUS (Conitec), que estava vinculada ao Ministério da Saúde, colocou em consulta pública uma minuta de um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para o comportamento agressivo do TEA, Transtorno do Espectro Autista.
O texto preliminar mencionava a possibilidade de usar a eletroconvulsoterapia (ECT) apenas em casos graves e refratários, quando outros tratamentos falham, sob avaliação de equipes especializadas. E no próprio documento dizia que não tinha recomendação internacional para o uso de eletrochoques e que as evidências científicas eram escassas.
Esse documento gerou forte indignação e repúdio de mais de 460 entidades especializadas, associações de familiares de pessoas autistas e parlamentares que criticaram a falta de base científica e o caráter invasivo da proposta.
Depois de uma forte repercussão negativa e a análise das contribuições da consulta pública, a própria Conitec revisou o caso em 2022 e reforçou que não recomendava o procedimento para o tratamento de comportamentos associados ao autismo. A técnica nunca chegou a ser efetivamente aprovada ou implementada no SUS para essa finalidade.
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