Um bom thriller dirigido e estrelado por Ben Affleck, que utiliza dilemas morais, uma trilha sonora intensa e uma história repleta de reviravoltas. Embora não apresente grandes novidades dentro do gênero, o filme funciona bem como entretenimento de ação e suspense.
O novo filme da Netflix serve como uma obra despretensiosa de ação moderna.
O candidato à prefeitura de Los Angeles, Mark Kimball (Ben Affleck), está perdendo nas pesquisas eleitorais e enfrenta dificuldades para conquistar o apoio da população latina. Diante desse cenário, seu assessor, Sam (Steve Yeun), tenta ajudá-lo a reverter a situação e fortalecer sua campanha.
Mark é casado com Abigail (Kerry Washington) e tem um filho, Danny (Christopher Woodley). Enquanto tenta conquistar a prefeitura, o candidato também precisa lidar com as articulações políticas e os conflitos de sua vida pessoal.
Na noite de Halloween, Danny é sequestrado, e os criminosos exigem uma quantia exorbitante pelo resgate. Além de abalar emocionalmente a família, o sequestro ameaça comprometer a campanha política de Mark. Para piorar a situação, ele precisa conseguir o dinheiro exigido, o que desencadeia uma série de complicações. É nesse contexto que surge a negociadora Daily, especialista em resgates, cuja personalidade fria, direta e objetiva chega a assustar o casal em determinados momentos.
A partir daí, a trama desenvolve uma sucessão de reviravoltas, dramas familiares e conflitos éticos e racionais, colocando os personagens diante de decisões difíceis e situações moralmente questionáveis.
A construção do suspense funciona bem, especialmente pela utilização de uma trilha sonora com sintetizadores, que contribui para criar uma atmosfera tensa e inquietante. Ben Affleck apresenta uma direção segura, demonstrando qualidades que já haviam aparecido em trabalhos como Atração Perigosa e Argo. Sua atuação, por outro lado, é apenas razoável, reforçando a impressão de que ele se destaca mais como diretor do que como ator.
As atuações de Gillian Anderson e Kerry Washington também merecem destaque, acrescentando força ao conjunto e contribuindo para o desenvolvimento dos conflitos apresentados.
Visualmente, o filme aposta em uma paleta de cores predominantemente cinzentas e metálicas, reforçando o clima urbano e a atmosfera de tensão. Nos momentos relacionados à política, os tons de azul e dourado ganham espaço, criando um contraste visual interessante. A direção também explora recursos como câmera na mão, movimentos giratórios, planos abertos, ângulos plongée e contra-plongée, além de close-ups mais nervosos em determinadas cenas. Essas escolhas ajudam a construir uma sensação de instabilidade psicológica e claustrofobia, aproximando o espectador dos dilemas vividos pelos personagens.
No geral, o filme funciona dentro da proposta de um bom thriller de ação e suspense. A história é interessante, mantém a curiosidade sobre os próximos acontecimentos e apresenta conflitos capazes de prender a atenção do espectador. Apesar de não trazer grandes inovações ao gênero, conta com uma produção visualmente interessante, uma direção eficiente e uma atmosfera de suspense bem construída.
É um entretenimento competente, que não reinventa a fórmula, mas sabe utilizar seus elementos para entregar uma experiência envolvente.
O Elenco também conta com Ray Fisher, Adriana Paz, Matt Gerald, Luis Gerardo Méndez, Chris Gunn, Mark Kassen.
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