Direção – Todd Phillips
Elenco : Joaquin Phoenix, Lady Gaga, Brendan Gleeson, Zazie Beetz, Catherine Keener, Ken Leung, Connor Storrie, Harry Lawtey, Steve Coogan, Sharon Washington, Bill Smitrovich, Brian Donahue, Jacob Lofland, Leigh Gill, Tim Dillon, Mike Houston, Troy Metcalf, Troy Fromin, Gregg Daniel, Jimmy Smagula, Alfred Rubin Thompson, Anthony Gullotta, Murphy Guyer
Quando o mesmo foca em absurdo, há algo interessante a ser explorado. Personagens ambíguos e que parecem, com certa onda cartunesca que os envolve, serem desencaixados da realidade, de forma figurada, mas, nas cenas de musical, literal. Há certos toques, de fato, cômicos, charmosos e elegantes em sua ida do real para a cabeça transtornada de Arthur Fleck, um homem que se desvencilha da realidade constantemente. Trazer isso para a forma do filme acaba por ser um ponto positivo do mesmo.
O que já não pode ser dito de quando tenta algo sério e sóbrio. Há partes no longa tão bucólicas e enfadonhas, sem corroborar no entendimento de superego e ID de seu protagonista que o tédio toma conta por inteiro, ao apresentar uma fuga, mal disposta, de toda a narrativa pela qual o espectador é cativado. Ao toda produção se voltar para ao mundo ao redor de seu maníaco e louco personagem, nada acaba por ser interessante ou apresentar uma direção e posicionamento contundente com o material proposto.
Coringa: Delírio a Dois é o tipo de filme que se perde por completo em suas ideias somente pelo comercial. Onde é acompanhada e endossada a jornada de Arthur, inicialmente, posteriormente é criticada de forma plena. Nada no longa parece, de fato, seguir com o Coringa e, sim, com um suposto mesmo, cartunizado e estereotipado pelo seu próprio diretor, em meio a um filme de drama junto de pitadas psicodélicas e de musical.
Em meio a tramas deslocadas, uma corrente de ideias ríspidas no ar, há um longa que tenta satirizar um personagem, ao mesmo tempo que o endossa pelo meio como é filmado, que, por conta de uma direção incompreensível, acaba por não fazer um nem outro, somente se salvando parcialmente a atuação de Joaquin e sua jocosidade clara com a encenação proposta.
Ao final, a obra tenta se apoiar em todo um contexto já posicionado com o filme de 2019, mas para fazer o oposto e o ironizar, o que já é uma ideia descabida por si só, afinal, é praticamente um atestado de como Todd Phillips não sabe nem em 2019 e nem agora conduzir sua narrativa e protagonistas, o que pode se dizer como certo com seu contexto atual.
Em suma, Coringa: Delírio a Dois mais parece uma obra que tenta afrontar observações pré-dispostas do primeiro filme que um filme que tenta comentar sobre o mesmo e o dissecar.
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