Dirigido por Billy Wilder e estrelado por Charles Laughton, Tyrone Power, Marlene Dietrich, Elsa Lanchester, John Williams, Una O’Connor e Henry Daniell.
Esse filme é um dos meus favoritos do diretor Billy Wilder, e também de filmes que passam em tribunais. Acho que conseguiria fazer um top 5 dos que gosto mais e que se passam em tribunais.
O filme foi baseado em um conto da Ágatha Christie com o mesmo nome. Esse conto saiu em 1925 e foi publicado pela primeira vez em 1933 no livro The Hound of Death and Other Stories e apenas no Reino Unido. E depois virou peça teatral. E foi um tremendo sucesso tanto em Londres em 1953 quanto na Broadway em 1954.
Antes de Billy Wilder entrar oficialmente no projeto, a própria Marlene Dietrich leu o roteiro antes. E ela ficou encantada com o papel de Christine Vole, especialmente pela complexidade emocional e pelas reviravoltas que proporcionam mudanças de tom, sotaque, postura e até aparência.
Ela começou a insistir nesse projeto e recomendou Billy Wilder, como sendo o diretor ideal para conduzir o projeto. E mostrou para ele pessoalmente. Ela o conhecia desde os anos 1930, ainda na Alemanha.
Ela disse que era o material perfeito para ele por ter ser uma mistura de suspense, ironia e ambiguidade moral. E quando ele leu viu que tinha enorme possibilidade de acrescentar humor ácido e tensão psicológica, elementos que ele adorava trabalhar.
Esse filme é um suspense jurídico repleto de reviravoltas, humor ácido e interpretações marcantes. A trama gira em torno do prestigiado advogado criminalista Wilfred Robarts (Charles Laughton). Ele acaba de voltar ao trabalho após sofrer um grave ataque cardíaco. Wilfred não pode pegar casos complicados e nem fumar ou beber. Ele estava terminantemente proibido dessas coisas e até foi para casa com a enfermeira senhorita Plimsoll (Elsa Lanchester). Mas ele seguiu as recomendações médicas ou da enfermeira que estava na casa dele? Mas é claro que não.
Wilfred não queria casos fáceis de solucionar. Ele gostava dos complicados e difíceis de serem solucionados. E foi o que surgiu para ele. Contra recomendações médicas, ele aceita defender um caso de homicídio que rapidamente se mostra arriscado e desgastante emocionalmente.
O acusado é Leonard Vole (Tyrone Power, em seu último papel no cinema), um homem carismático, gentil, educado e que está sendo acusado de ter matado Emily French (Norma Varden). Uma mulher de meia idade, rica, viúva e solitária que o tinha colocado em seu testamento. Ele seria o herdeiro de sua fortuna.
Esse filme tem uma pegada noir. Não há nenhum inocente nessa história. Todos manipulam todos. E você percebe isso logo no início. O filme é em preto e branco e tem nuances de expressionismo alemão. Fora a trilha sonora. Você fica preso até o último minuto assistindo o filme. Há reviravoltas e plost Twist.
A prova circunstancial é incriminadora e a opinião pública acredita que o réu é culpado desde o início. Leonard jura inocência e a sua principal esperança de absolvição parece ser o depoimento de sua esposa, Christine Vole (Marlene Dietrich).
Marlene Dietrich está ótima nesse papel. Ela interpreta com tamanha frieza. E é justamente aí que temos uma grande reviravolta. Ela se torna testemunha de acusação contra Leonard e diz que não é legalmente casada com ele. E conta que já era casada com outro homem.
E tinha fugido com Leonard e os dois moravam em Londres. E assim, ela consegue testemunhar contra ele. E as surpresas não param aí não.
Wilfrid fica desconfiado, e percebe inconsistências nas atitudes e comportamentos de Christine e suspeita que ela esteja tentando manipular o sistema. E em paralelo, a saúde dele piora porque ele não parou de beber durante o julgamento. Esse caso estava ficando cada vez mais tenso.
Há um momento em que uma mulher misteriosa contata Wilfred oferecendo informações que podem mudar o rumo do caso. Documentos, cartas e identidades são colocados em xeque, e levando a todos nós a questionarmos quem está falando a verdade.
Quem será essa mulher? Eu dou um doce se você adivinhar.
No clímax, uma revelação espetacular desmonta todas as certezas construídas até então, e o julgamento foi encerrado de forma surpreendente. Mas depois o veredito, há mais uma reviravolta no final. E surpreende a Christine Vole e a todos nós. E nos deixando atônito.
O papel de Marlene Dietrich é crucial para todas as grandes reviravoltas do enredo, e a sua presença é magnética e eleva o filme ainda mais profundo e cheio de tensões psicológicas.
E o que vocês acham desse filme? Ele é tão cheia de camadas e reviravoltas que na época em que foi lançado ninguém que via no cinema podia contar sobre ele.
Bem eu vou ficando por aqui. Quem quiser comentar, fique a vontade. Um beijo e até a próxima matéria.
![]()

