A Crítica Cinematográfica de Susan Sontag:Uma Análise de sua Contribuição para o Cinema.

Cinema

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Marcelo Kricheldorf

Susan Sontag (1933 – 2004) foi uma das principais críticas cinematográficas do século XX, e sua contribuição para o cinema é imensa. Neste artigo, vamos explorar a importância de Sontag para o cinema, analisando suas ideias sobre a imagem, a narrativa, a estética e a forma, e como elas influenciaram a crítica e a teoria do cinema.
Sontag foi uma das primeiras críticas a reconhecer a importância do cinema como uma forma de arte.Escreveu extensivamente sobre o cinema, analisando filmes de todos os gêneros e estilos, e suas críticas são conhecidas por sua profundidade e perspicácia. Sontag via o cinema como uma forma de arte que podia capturar a complexidade da experiência humana, e ela elogiou filmes que exploravam temas como a identidade, a memória e a condição humana.
Foi uma defensora fervorosa do cinema de arte, e ela ajudou a promover a obra de diretores como Godard, Bergman e Antonioni.Ela via o cinema de arte como uma forma de resistência à cultura de massa; acreditava que os filmes de arte podiam oferecer uma visão mais profunda e mais complexa da realidade do que os filmes comerciais.
As ideias de Sontag sobre a imagem e a narrativa influenciaram a teoria do cinema, e ela é considerada uma das principais figuras da teoria do cinema do século XX. Sontag via a imagem como uma forma de linguagem; acreditava que a narrativa cinematográfica era uma forma de poesia. Suas ideias sobre a imagem e a narrativa influenciaram a forma como os filmes são analisados e interpretados.
Acreditava que os filmes de arte podiam oferecer uma visão mais profunda e mais complexa da realidade do que os filmes comerciais, e ela defendeu a importância da crítica cinematográfica como uma forma de promover a compreensão do cinema como arte.
Ajudou a estabelecer o cinema como uma forma de arte legítima, e suas ideias sobre a estética e a forma influenciaram a compreensão do cinema como arte. Ela via o cinema como uma forma de arte que podia capturar a complexidade da experiência humana, e ela elogiou filmes que exploravam temas como a identidade, a memória e a condição humana.
As ideias de Sontag sobre a representação da mulher no cinema influenciaram a crítica feminista do cinema.Sontag via a representação da mulher no cinema como uma forma de refletir a sociedade, e ela defendeu a importância da crítica feminista do cinema como uma forma de promover a compreensão da representação da mulher no cinema.
Alguns pontos fundamentais que solidificam Sontag como uma pensadora indispensável:

  1. O Ensaio “Contra a Interpretação” (1964)
    Este é, talvez, o seu texto mais influente para a crítica de arte. Nele, Sontag argumenta que a crítica moderna estava “envenenando” a arte ao tentar extrair dela apenas o conteúdo e o significado (o “o quê”), negligenciando a forma e a experiência sensorial (o “como”). Para o cinema, isso significava valorizar a estética e a pureza visual antes de tentar decifrar metáforas psicológicas ou sociais. Sua famosa frase — “Em vez de uma hermenêutica, precisamos de uma erótica da arte” — mudou a forma como se escreve sobre filmes.
  2. A “Cinefilia” e o seu Declínio
    Em 1996, Sontag publicou um ensaio controverso no The New York Times intitulado “A Decadência do Cinema”. Ela argumentava que a “cinefilia” — o amor obsessivo e quase religioso pelo cinema — estava morrendo devido à comercialização extrema e à perda da experiência coletiva da sala escura. Esse texto gerou um debate global sobre o futuro do cinema na era digital que permanece atual em 2025.
  3. Sontag como Cineasta
    É importante lembrar que ela não foi apenas uma teórica, mas também praticante. Ela dirigiu quatro filmes, incluindo:
    Duet for Cannibals (1969) e Brother Carl (1971), gravados na Suécia.
    Promised Lands (1974), um documentário sobre as tensões em Israel.
    Unguided Tour (1983).
    Embora seus filmes não tenham tido o mesmo impacto que seus ensaios, eles revelam sua tentativa de aplicar na prática suas teorias sobre a imagem e a narrativa não convencional.
  4. “Notas sobre o Camp” (1964)
    Ao definir a estética Camp (o amor pelo artificial, pelo exagero e pelo “estranho que é bom”), Sontag deu ferramentas teóricas para que o cinema de gênero, o cinema queer e as obras de diretores como John Waters ou até o visual de musicais de Hollywood fossem analisados com seriedade acadêmica, derrubando a barreira entre a “alta cultura” e a “cultura pop”.
    Sontag defendia que a estrutura de um filme deveria ser interpretada como poesia, onde a forma e o estilo são tão importantes — ou mais — que o conteúdo literal.
    Em seus ensaios, ela frequentemente argumentava que a crítica não deveria apenas “traduzir” o que um filme significa, mas sim descrever como ele é o que é, preservando a mágica da experiência estética.
    O impacto de Susan Sontag na crítica cinematográfica é imenso e permanente. Ela elevou o status do crítico ao de um mediador essencial entre a obra e o público, estabelecendo padrões de profundidade e perspicácia que ainda definem a profissão. Seu trabalho garantiu que o cinema fosse respeitado como um campo de estudo filosófico, garantindo que, ainda hoje, sua obra seja o ponto de partida para qualquer debate sério sobre a estética da imagem e o papel social da sétima arte.

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