Análise do Filme: A Professora de Piano. (2001)

Critica de Filmes

Dirigido por Michael Haneke e estrelado por Isabelle Huppert, Benoît Magimel, Annie Girardot, Susanne Lothar, Philipp Heiß e Anna Sigalevitch.

Esse romance erótico é uma adaptação do livro A pianista, de Elfriede Jelinek. Uma escritora austríaca conhecida por seu estilo duro e crítico. Esse romance já foi considerado controverso por abordar abuso emocional, repressão sexual e autoritarismo familiar, temas que Haneke levou ao extremo no cinema.

A maior parte das cenas no conservatório foi filmada no Konservatorium Wien, um dos mais prestigiados da Áustria.

A trama acompanha a vida de Erika Kohut (Isabelle Huppert) que é uma renomada professora de piano no Conservatório de Viena. Respeitada por sua técnica impecável e por sua disciplina, ela mantém uma postura severa diante dos alunos, e também diante da própria vida.

Mas por trás dessa fachada controlada há uma mulher que esconde um universo emocional profundamente controlado.

Aos 40 anos, Eika vive ainda com a mãe controladora (Annie Girardot), com quem mantém uma relação sufocante, simbiótica e de amor e ódio. As duas moram juntas em um mesmo apartamento e travam confrontos constantes.

Nesse ambiente não há espaço para autonomia ou expressão livre. E sim para vigilância e dependência mútua.

Apesar de ter uma vida disciplinada, Erika revela hábitos secretos que contrastam com sua imagem pública. Ela frequenta cabines de cinema pornô, observa casais fazendo sexo em carros e pratica automutilação. Esses rituais dão razão a sua sexualidade reprimida, sempre marcada por dor, culpa e falta de afeto.

Essa rotina emocionalmente estagnada de Erika começa a mudar quando surge Walter Klemmer (Benoît Magimel), um jovem e talentoso aluno que demonstra admiração e desejo por ela.

Walter é impulsivo, seguro de si e cheio de vitalidade, tudo o que Erika reprimiu ao longo da vida. Ele decidiu conquistá-la, insistindo em uma relação mais íntima, apesar das resistências dela.

Quando Erika finalmente se aproxima dela, revela seu lado mais oculto e sombrio. Ela entrega a Walter uma carta detalhando fantasias sados-masoquistas e regras de dominação e submissão.

Walter fica chocado e, sentindo-se rejeitado por não atender às expectativas dela, oscila entre desejo, confusão e frustração.

A cenas bem picantes nesse filme. Incluindo uma que indica que Erika está fazendo sexo oral em Walter.

A relação entre os dois se torna um campo de batalha emocional. Walter, inicialmente seduzido pela sua aura misteriosa, passa a se sentir desafiado por sua frieza e sua complexidade psicológica.

A tensão culmina em uma sequência devastadora, quando Walter tenta afirmar poder, interpretando erroneamente as fantasias dela como um convite à violência real, algo completamente distinto do controle ritualizado que Erika buscava.

Após um encontro traumático, Erika retorna ao conservatório. Antes de um recital, esconde uma faca no bolso e, em um gesto desesperado e enigmático, fere-se na região do peito.

Ela sai do local sozinha, caminha pela rua enquanto o recital acontece sem ela, deixando o público e o espectador, sem respostas simples sobre seu destino.

Haneke disse que o filme fala sobre: Controle, infantilização, castração emocional e uma vida inteira de repressão que implode. E vocês concordam com ele?

O filme ganhou três prêmios no Festival de Cannes de 2001. Grande Prêmio do Júri, Melhor atriz (Isabelle Huppert) e Melhor Ator (Benoîte Magimel). E é extremamente raro um mesmo filme levar dois prêmios de atuação mais o Grande Prêmio. Haneke só não ganhou a Palma de Ouro por uma diferença mínima na votação.

E o que vocês acharam desse filme? Isabelle Huppert atuou muito bem, mas é um filme tenso, denso, e com várias camadas. Quem quiser comentar, fique a vontade. Um beijo a todos e até a próxima matéria.

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