Dirigido por Roger Vadim e estrelado por Brigitte Bardot, Roger Vadim, Jean-Louis Trintignant, Curd Jürgens, Christian Marquand, Jane Marken e Isabelle Corey.
Essa é a minha pequena homenagem a Brigitte Bardot que faleceu a alguns dias atrás. Bardot era uma excelente atriz e fez muito sucesso nas décadas de 50 e 60. Era uma dos maiores símbolos sexuais do cinema. Descanse em paz, Bardot!
E trago um filme que vi há algum tempo, mas que me marcou e muito por seu talento. E Deus Criou a Mulher, filme que foi dirigido e estrelado por Roger Vadim. Ele foi marido de Jane Fonda em (1965 – 1973).
Mas vamos voltar a falar sobre E Deus Criou a Mulher. Ele é ambientado na ensolarada Saint-Tropez, no sul da França e a trama acompanha a vida de Juliette Hardy (Brigitte Bardot). Ela é uma jovem órfã de 18 anos, extremamente sensual, impulsiva e despreocupada com convenções sociais.
Sua beleza e liberdade de comportamento chamam a atenção e despertam desejo em praticamente todos ao seu redor, o que a torna alvo tanto do fascínio quanto de julgamento moral.
Não podemos nos esquecer de que esse filme é da década de 1950 e o julgamento moral era muito grande, ainda maior do que temos hoje em dia, em 2025.
Há ainda muita coisa para evoluirmos em relação a julgamento moral. Quem sabe um dia a gente chega lá. Somos ainda crianças na escala moral.
Juliette vive adotando pequenos trabalhos e circulando pela cidade com uma espontaneidade que incomoda os mais conservadores.
Juliette mantém um relacionamento casual com Antoine Tardieu (Roger Vadim), que é um homem sedutor e não quer compromisso. Porém é óbvio que Juliette está apaixonada por ele. E a fofoca rolando solta pelos barcos da cidade. Ela chega inclusive a correr o risco de ser enviada de volta ao orfanato pelas autoridades locais, que compartilham a opinião de que a vida desregrada dela é um problema.
E para evitar que Juliette seja enviada de volta ao orfanato e também por ser movido por um afeto, carinho sincero, Michel Tardieu (Jean-Louis Trintignant), o irmão mais velho de Antoine, que é apaixonado por ela a pede em casamento.
Juliette aceita. Ela busca estabilidade e a chance de ser levada a sério. Porém, o casamento logo se complica. Antoine retorna à cidade, e com isso reacendendo sentimentos reprimidos e criando um triângulo amoroso repleto de sentimentos como desejo, tensão, ciúmes.
Enquanto Michel tenta proteger Juliette e sustentar o casamento, ela luta contra seus impulsos passionais e contra a hipocrisia da comunidade que a cerca.
A situação perde o controle quando as emoções de todos chegam ao limite, e colocando em risco tanto o casamento quanto a imagem de Juliette diante da cidade.
O filme caminha para um clímax emocional que mistura sensualidade, frustração e fúria, revelando o conflito entre liberdade pessoal e a moralidade social. Temas dos quais trouxeram a obra a ser um marco do cinema francês.
E vou escrever aqui algumas curiosidades por aqui. Mesmo Brigitte Bardot já ter feito outros filmes, foi em E Deus Criou a Mulher que ela se transformou em um símbolo global de sensualidade e liberdade feminina. Após o lançamento nos Estados Unidos, ela se tornou um símbolo cultural e um dos rostos mais reconhecidos do mundo.
A cena em que Juliette dança descalça ao som de ritmos caribenhos, improvisando sensualmente em uma festa, se tornou um marco do cinema. Grande parte da sequência foi improvisada por Bardot e o Vadim decidiu manter tudo porque a espontaneidade traduzia exatamente a força selvagem do personagem.
Saint-Tropez antes do filme era uma vila tranquila, mas após o sucesso do filme, acabou virando ponto turístico mundial e passou a ser associada ao glamour, a liberdade e sensualidade. Efeito direto da presença de Bardot e da estética do filme.
Roger Vadim e Brigitte Bardot eram casados na época do filme. E Vadim escreveu o papel pensando nela. Após o sucesso do filme, o casal virou manchete em vários países.
Em 1956, a sensualidade explícita de Bardot, mesmo sem nudez frontal, chocou plateias conservadoras. Em alguns países, a postura livre de Juliette foi vista como polêmica e até imoral e isso acabou contribuindo para o sucesso do filme.
Juliette não era apenas objeto do desejo masculino. Ela expressava o seu próprio desejo, tomava decisões baseadas em sua vontade e desafia os padrões sociais da época. Isso foi revolucionário e abriu caminhos para representações mais complexas de mulheres no cinema.
E vocês? O que acharam desse filme? Quem quiser comentar sobre ele, fique a vontade. Um beijo e até a próxima matéria.
![]()

