Análise do filme “Feitiço” (2020)

Critica de Filmes

Direção: Mark Tonderai 

Elenco: Omari Hardwick, Loretta Devine, John Beasley, Lorraine Burroughs, Hannah Gonera, Kalifa Burton, Tumisho Masha, Steve Mululu, André Jacobs, Peter Butler

Uma premissa promissora, mas infelizmente não atinge nem de longe as expectativas

Marquis, um homem bem-sucedido, recebe a notícia da morte de seu pai, do qual guarda amargas lembranças da sua infância, devido ao rigor com que foi criado por ele em função de sua religião. Mesmo com cicatrizes tanto físicas como emocionais geradas deste conflito, decide prestar sua última homenagem à figura paterna. Para isto, parte junto de sua família, pilotando seu próprio avião rumo ao funeral. Entretanto, atingido por uma tempestade, o avião cai pouco antes de chegar a seu destino. Sem saber o que ocorreu e sem notícias de sua família, Marquis acorda num quarto, onde está sendo cuidado por um casal aparentemente muito gentil e prestativo. Porém, aos poucos, ele vai descobrindo que coisas sombrias ocorrem no local e começa a questionar as reais intenções de seus anfitriões.

Uma premissa promissora, mas infelizmente não atinge nem de longe as expectativas. Os problemas já começam no primeiro ato, onde as atuações dos familiares de Marquis são péssimas e não conseguem emular um relacionamento legítimo entre eles, formando uma família completamente artificial. Entretanto, este não é o maior defeito do longa, mas sim a falta de profundidade do roteiro, que tinha tanto para ser explorado, como o trauma pai/filho, a riqueza da religiosidade de origem africana, o background dos antagonistas. Porém, se mantém na superficialidade, sem desenvolver adequadamente a trama, subtramas e personagens, fazendo com que o longa se arraste, num ritmo lento e cansativo, repleto de conveniências e incoerências, comprometendo a verossimilhança e, portanto, a imersão de quem assiste.

Um final heroico e bastante previsível encerra melancolicamente o filme. Ainda assim, existem coisas boas a se destacar, como as atuações do protagonista e do casal antagonista, a fotografia e utilização das cores e pelo menos três ótimas cenas: a cena do ritual, de ótimo gore, a cena da refeição, cujo impacto é muito forte, e principalmente a cena do prego, que é absolutamente desconfortável e aflitiva.

“O Feitiço” é um suspense/terror que, devido a um roteiro fraco e um elenco de apoio que beira o amadorismo, decepciona e desperdiça um enorme potencial, resumindo-se a poucos bons momentos perdidos num enredo muito mal desenvolvido.

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