ANÁLISE DO FILME: NEFARIOUS – CARY SOLOMON E CHUCK KONZELMAN

Critica de Filmes Terror

Data de lançamento: 14 de abril de 2023 (EUA)

Diretores: Cary Solomon, Chuck Konzelman

Gêneros: Terror, Suspense, Drama

Duração: 1h37min

Baseado em: A Nefarious Plot, de Steve Deace

Um filme que dividiu opiniões — aclamado por alguns e rejeitado por muitos (rsrs).

Nefarious é um longa de terror independente cristão, escrito e dirigido por Chuck Konzelman e Cary Solomon, baseado no romance A Nefarious Plot (2016), de Steve Deace.

Estrelado por Jordan Belfi, no papel de um psiquiatra encarregado de avaliar se um condenado no corredor da morte (interpretado por Sean Patrick Flanery) está realmente possuído por um demônio ou apenas fingindo, o filme foi lançado em 14 de abril de 2023.

O filme gerou muitas críticas negativas, talvez por ser uma produção cristã que aborda temas delicados e provoca o espectador em níveis pessoais mais do que técnicos.

Diferente dos filmes clássicos de terror sobrenatural — geralmente carregados de efeitos visuais e cenas impactantes — Nefarious se destaca justamente por ir na contramão disso tudo.

Inspirado no livro A Nefarious Plot (em tradução literal, “Uma Trama Nefasta”), de Steve Deace — autor best-seller do New York Times, os cineastas descrevem o filme como uma fusão entre Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, de C. S. Lewis, e O Silêncio dos Inocentes.

Desde o início, o filme já impõe uma trilha sonora angustiante, um movimento de câmera tenso e uma morte inicial que causa estranhamento.

A paleta de cores e a fotografia reforçam o clima sombrio, e a construção do personagem principal é marcada por gestos, tiques e expressões muito bem definidas.

A entrega dos atores é tão intensa que chega a ser exaustiva — e, ao mesmo tempo, real.

A insanidade humana é retratada de forma crua e inquietante, como um espelho da própria condição nefasta da humanidade.

Embora o filme seja considerado “parado”,  com poucas ações e quase toda a narrativa confinada a um plano fechado, no qual o psicólogo ateu entrevista o prisioneiro Edward Wayne Brady (possesso por Nefarious), o diálogo é tão envolvente que prende o espectador do início ao fim.

Durante a entrevista, vão sendo reveladas verdades perturbadoras, despertando curiosidade e desconforto.

A performance de Flanery é impressionante: sua expressividade, mudança de tom de voz e olhar o transformam num personagem visceral.

Os diálogos são bem elaborados e provocam reflexões sobre a decadência humana, a culpa, a religião e a loucura.

A insanidade e a confusão mental são tratadas não apenas sob o viés psicológico, mas também espiritual.

A culpa, a acusação e a posse demoníaca são apresentadas como forças que se misturam.

Há uma reviravolta quando o próprio psicólogo começa a se alterar, entrando no “jogo” emocional e sendo atraído para seus próprios conflitos internos — um retrato quase simbólico da multipersonalidade e da fragilidade da razão.

A cena da execução de Edward na cadeira elétrica é agonizante: o silêncio que ecoa, o plano fechado e os detalhes mínimos criam uma tensão quase palpável.

Mais do que uma crítica religiosa, Nefarious propõe uma reflexão sobre a natureza humana e a mente em colapso.

A estrutura narrativa, o uso do silêncio, a direção de fotografia e a atuação brilhante de Flanery tornam o filme uma experiência intensa.

Embora classificado como terror, eu o enxergo mais como um drama psicológico e filosófico, que leva o espectador a refletir sobre o limite entre o mal, a insanidade e a fé.

A maior parte da ação se passa dentro de um presídio, com poucos movimentos de câmera, predominam planos médios e detalhes, o que reforça o foco no diálogo e na interpretação.

A câmera, muitas vezes, fica posicionada atrás do Dr. James, usando suas costas como divisória: quando Edward fala, ele ocupa um lado do enquadramento; quando o demônio Nefarious fala, o ângulo muda para o lado oposto — um recurso sutil, mas poderoso.

Curiosidade: De acordo com o co-roteirista e diretor Cary Solomon, a inspiração para o filme surgiu após ele ler uma pesquisa segundo a qual 7 em cada 10 pessoas acreditam ter algum tipo de distúrbio mental, e 4 dessas 7 acreditam que o distúrbio tem origem demoníaca.

Com um orçamento modesto de US$ 5 milhões, distribuído pela produtora independente A2 Filmes, Nefarious entrega muito mais do que se espera de uma produção de baixo custo — uma narrativa tensa, provocadora e inquietante, que deixa no ar a pergunta:

Assista e me comente o que você achou?

Disponível no Youtube

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