“ A vida é boa e sua bondade está no amor “
Para quem assistiu ao filme de Hector Babenco de 1985 com a musa Sônia Braga, Raul Julia e William Hurt, esse último premiado com o Oscar de melhor ator pelo papel de Luís Molina, fica difícil não comparar as duas obras.
O primeiro foi baseado no livro de Manuel Puig assim como o atual, porém o último é também uma adaptação do musical da Broadway de 1995.
Embora a temática seja a mesma, a abordagem é muito mais leve, colorida e até divertida. Nesse caso a escolha de Jeniffer Lopez, que também é produtora junto com seu ex marido Ben Affleck, foi certeira. Ela dá um espetáculo cantando e dançando.
Ambientado na Argentina no período da ditadura militar( a primeira versão era situada no Brasil), se divide entre sonho e realidade, o sonho como necessidade de fugir da prisão, tortura e morte iminente.
Molina é um homossexual que divide uma cela com Valentin, preso político.
Os dois não têm nada em comum, o primeiro respira cinema: usa uma cortina de contas para dividir seu espaço na cela, e sua parede é coberta por pôsteres de Rita Hayworth e outras atrizes do cinema clássico. É alheio ao que acontece no cenário político do país.
Já o segundo, até pela cultura da época despreza seu colega, sentindo uma certa repulsa pela sua opção sexual e falta de interesse ao que acontece no país.
Os dois no entanto são obrigados a conviver, e aos poucos Valentin começa a ouvir a estória de um filme que Molina repete : “ O beijo da mulher aranha “.
As cenas do filme dentro do filme na verdade são paralelas ao que acontece com ambos, Diego Luna, que interpreta Valentin, no filme também é Armando. Tonatiuh além de Molina é Kendall no “ filme “. E Jeniffer interpreta a atriz Ingrid Luna, além de Aurora e, claro, a temida “ mulher aranha “, que obviamente é a morte, de quem ninguém pode fugir do beijo final.
Nesse emaranhado de personagens e atores as questões da vida são trabalhadas, e é interessante como a mesma copia a arte ou seria o filme uma invenção do cinéfilo, já que o que acontece na “ tela “ imaginária é um espelho de cada situação vivida por ambos?
Tonatiu Elizarrazas tem uma interpretação digna de aplausos, repetindo o feito de Hurt 40 anos atrás.
Diego Luna está muito bem, sua interpretação é contida, o espectador tem que imaginar o que Valentin sente e pensa. Já Jeniffer Lopez encanta nos números musicais deixando a desejar como atriz, e ela acumula três personagens, ao contrário dos atores,sendo um ponto negativo.
Visualmente é um filme lindo, a estratégia de brincar com realidade/ ficção é muito bem trabalhada na direção de Bill Condon.
E o que é a vida? Todos seremos beijados pela mulher aranha um dia…Até lá podemos sonhar, amar, acolher, cuidar…
Ir ao cinema ou viver em um filme, e nesse ponto Luís Molina lembra Cecília do clássico “ A rosa púrpura do Cairo “.
Pessoas mudam durante essa jornada, e é belo como a relação entre eles se desenvolve.
Uma refilmagem que preserva a visão do original e acrescenta ou mescla totalmente o lúdico.
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Bem, como eu imaginei que seria… É uma crítica muito bem construída e a narrativa perfeita! Garota! Quero ser igual a você quando crescer! Eu só vi a primeira versão e fiquei com um gostinho de quero mais na boca. Com certeza, irei ver essa segunda versão. Mas irei me lembrar do WIlliam Hurt né. Parabéns pela grande crítica.
Parabéns pelo artigo
Parabéns, Natasha! Excelente análise
Se serei beijado pela mulher aranha do filme eu não sei, mas sua análise deixou -me curioso em ir atrás da versão deste beijo. Parabéns Nat!
De 1985 eu já assisti e de 2025 eu ainda não assisti, depois da análise já fiquei interessado em assistir.
Parabéns pela análise.
Parabéns pela análise
Gostei da crítica e aguçou meu interesse pelo filme!!
Obrigada a quem leu e conentou.