Análise do Filme: Terra em Transe (1967).

Critica de Filmes

Terra em Transe (1967) de Glauber Rocha: Uma Exploração do Imaginário Político e Social Brasileiro🎬🎥
⭐⭐⭐⭐⭐

Marcelo Kricheldorf

Terra em Transe, dirigido por Glauber Rocha em 1967, é uma obra seminal do Cinema Novo brasileiro que transcende a narrativa cinematográfica convencional para mergulhar profundamente no turbilhão do imaginário político do Brasil. Através de uma estética poderosa e uma estrutura alegórica, o filme aborda temas cruciais que refletem as complexidades sociais, políticas e culturais do país na década de 1960.
O filme explora distintas formas de dominação política e carismática, personificadas em personagens como Felipe Vieira e Porfírio Diaz. Glauber Rocha dialoga com concepções weberianas de poder, ilustrando como diferentes lideranças exercem controle sobre Eldorado, uma alegoria do Brasil.
Inspirado por perspectivas críticas, Terra em Transe retrata o embate entre elites dominantes e massas populares, evidenciando a exploração econômica e a desigualdade social. A tensão entre grupos é central para entender a crise política representada no filme.
Glauber Rocha aborda a questão da hegemonia cultural, refletindo sobre como as elites mantêm o controle simbólico e os desafios enfrentados pelos movimentos populares em romper com essa estrutura de dominação, em linha com pensamentos de Antonio Gramsci.
O filme toca na teoria da dependência, apresentando Eldorado como uma nação em crise, debatendo-se com questões de modernização e dependência econômica e cultural, temas relevantes para o contexto latino-americano e brasileiro.
A trajetória do protagonista Paulo Martins ilustra dilemas da intelectualidade de esquerda e as ambiguidades do populismo, representado por figuras como Felipe Vieira, questionando os caminhos da esquerda no poder.
O uso do nome “Eldorado” remete às origens coloniais brasileiras, suscitando reflexões sobre identidade nacional e os legados do colonialismo na formação do Brasil.
Terra em Transe faz uma crítica contundente ao autoritarismo e aos mecanismos de golpes políticos, refletindo sobre o contexto do golpe militar de 1964 no Brasil, que impactou profundamente a sociedade e a política brasileira.
O personagem Paulo Martins simboliza a angústia e o questionamento do intelectual diante das escolhas políticas e da realidade social, ilustrando o papel e os dilemas dos intelectuais engajados.
A linguagem poética e alegórica de Glauber Rocha é fundamental para a compreensão da crítica política e social do filme. A estética do Cinema Novo, com sua abordagem crua e expressionista, contribui para a força impactante de Terra em Transe.
Lançado em 1967, o filme reflete o clima de tensão política do Brasil pós-golpe militar de 1964, abordando temas candentes da época como autoritarismo, resistência e a busca por identidade nacional.
Terra em Transe é um marco do Cinema Novo, movimento que Glauber Rocha foi central em definir. O filme influenciou profundamente o cinema brasileiro e latino-americano, permanecendo relevante para debates sobre política, cultura e sociedade no Brasil. Sua abordagem estética e temática continua a inspirar cineastas e estudiosos.
Glauber Rocha, com Terra em Transe criou uma obra que é ao mesmo tempo um documento crítico de sua época e uma reflexão profunda sobre os dilemas políticos e culturais do Brasil, consolidando-se como um clássico do cinema mundial. O filme permanece como uma poderosa expressão do imaginário político brasileiro, convidando espectadores e analistas a refletirem sobre poder, identidade e transformação social.

Ficha Técnica de “Terra em Transe” (1967)

  • Título Original: Terra em Transe
  • Direção: Glauber Rocha
  • Ano de Produção: 1967
  • País: Brasil
  • Gênero: Drama
  • Duração: 106–111 minutos
  • Classificação: 14 anos (não recomendado para menores de 14)
  • Elenco Principal:
    • Jardel Filho como Paulo Martins (jornalista/poeta)
    • Paulo Autran como Porfírio Diaz (político conservador)
    • José Lewgoy como Felipe Vieira (governador populista)
    • Glauce Rocha como Sara
    • Danuza Leão como Sílvia
  • Roteiro: Glauber Rocha
  • Produção: Glauber Rocha, Luiz Carlos Barreto, Cacá Diegues, Raymundo Wanderley Reis
  • Cinematografia: Luiz Carlos Barreto
  • Trilha Sonora: Sérgio Ricardo
  • Direção de Arte: Paulo Gil Soares
  • Montagem: Eduardo Escorel
  • Produção: Mapa Produções Cinematográficas Ltda.
  • Distribuição: Difilm

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