Dirigido por George Cukor e estrelado por Katharine Hepburn, John Barrymore, Billy Burke, David Manners, Elizabeth Patterson e Paul Cavagh.
Olá a todos. Eu não poderia deixar de fora esse filme. E por quê? Por se tratar do primeiro filme estrelado por Katharine Hepburn, a lenda número 1 (Feminino) do cinema. E já em sua estreia arrasa. Ela simplesmente está fantástica e John Barrymore também. Mas, isso não é novidade. Temos no elenco, dois grandes “monstros” do cinema em um desempenho digno a Oscar. Eu sei que sou muito suspeita para falar de qualquer um deles. Afinal sou a “rainha dos clássicos”. Brincadeiras a parte, o filme é sensacional.
O filme é baseado em uma peça teatral com o mesmo nome e a autora se chama Clemence Dane. A trama se passa na Inglaterra e acompanha a vida conturbada da família Fairfield, marcada por segredos, decisões dolorosas e os impactos emocionais de um casamento despedaçado e sem chances de retorno. Por que? Não há nada mais que prende a família. Não tem mais liga ou algo que sirva como alicerce.
Hilary Fairfield (John Barrymore) está internado há 15 anos em um sanatório, após sofrer um grave colapso nervoso durante a Primeira Guerra Mundial. E é declarado como alguém insano, doente mental e é afastado da vida familiar deixando para trás a esposa Margaret (Billie Burke) e sua filha adolescente Sydney. (Katharine Hepburn).
Mas, Margaret com o passar do tempo, até mesmo anos, encontrou a estabilidade emocional ao lado de outro homem, Gray (Paul Cavanagh). E os dois estão planejando em se casar.
Mas antes que isso acontecesse, Hilary recebe alta do sanatório, recuperado e ansioso para voltar a sua casa e para a sua família. Porém, seu retorno repentino deixa a todos em choque, especialmente Margaret, que estava a ponto de se unir com outro homem.
Hilary tenta se reintegrar a família e a vida doméstica, mas fica evidente que o mundo mudou nesses 15 anos e que ele também era outra pessoa. E quando ele percebe que Margaret já não o ama mais, fica evidente a sua dor e decepção. E que a sua filha, já adulta não era mais aquela menina adolescente que ele lembrava.
Sydney, a filha do casal é uma mulher sensível e inteligente, é a única que demonstrou compreensão e carinho genuíno ao pai. Ela também estava a ponto de se casar com Kit Humphreys (David Manners). E aos poucos, com a convivência com o pai, ela percebe algo muito difícil de aceitar e entender. Que a doença mental de Hilary pode ser hereditária e que ela pode ter essa mesma doença. E que se ela se casar e um dia ter filhos, pode passar para seus filhos.
Dividida entre o amor e a responsabilidade, Sydney enfrenta um terrível dilema. Até que ponto ela deve sacrificar sua felicidade em nome da compaixão pelo pai e de sua própria consciência? Será que ela deveria se arriscar e se casar com Kit e ter filhos mesmo sabendo ter uma doença hereditária?
Há uma cena lindíssima nesse filme. Onde Hilary e Sydney conversam e ela percebe que é igual ao pai. E que pode ter os mesmos sintomas que ele. Há uma entrega tão grande nessa cena. John Barrymore e Katharine Hepburn me fizeram me emocionar totalmente. Que cena fantástica! E pensar que foi o primeiro filme dela. Ela não poderia ter começado melhor!
O filme mostrou bem o peso das expectativas sociais, das obrigações familiares e do impacto psicológico do abandono, da guerra e do estigma da doença mental.
Embora a história se passe na época de Natal. Não é o tema central do filme. Enfim, é um filme que mistura drama psicológico com comédia. O transtorno de Hilary é descrito como um efeito de estresse extremo, possivelmente relacionado a um estresse pós-traumático.
Quando Hilary volta a vida doméstica, ele percebe algumas coisas: perdeu eventos fundamentais da vida da filha. Percebeu que a vida da família continuou sem ele. E se sentiu um fardo além de se sentir um peso emocional para a filha. A motivação e a esperança que ele tinha quando voltou da escola, encontra uma família totalmente diferente da que ele deixou 15 anos atrás.
Já Margaret se sentia culpada por não mais amar Hilary e estar apaixonada por outro homem. Ela fica dividida entre a responsabilidade e a sua busca pela própria felicidade. Ela ficava dividida entre normas sociais (já que o casamento deveria ser eterno), e as próprias necessidades emocionais (desejo de segurança, companheirismo e estabilidade).
Além disso, Margaret estava exausta emocionalmente. E tentava agir de forma prática e racional. E não demonstrava muito empatia com o sofrimento de Hilary.
Bem, eu vou ficando por aqui. O que vocês acharam do filme? Quem quiser comentar, fique a vontade. Um beijo a todos e até a próxima matéria.
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