(Pierrot Le Fou) O Anti-Cinema de Godard, direção de fotografia de Raoul Coutard
“Após os 50 anos, Velasquez parou de pintar formas definidas”. Tal frase, presente logo no início de “O Demônio”, já nos oferece, nas entrelinhas, a ideia de que não teremos aqui, um filme convencional.
Com certeza, eis um dos melhores trabalhos do grande e saudoso Jean-Luc Godard (1930-2022). E, não por acaso, é um dos meus preferidos em sua extensa filmografia.
Estrelado por Jean-Paul Belmondo (1933-2021), o velho parceiro de Godard, desde seu longa de estreia: “Acossado” (1960) e também pela musa suprema da Nouvelle Vague francesa, Anna Karina (1940-2019), “O Demônio das Onze Horas”, graças à narrativa fragmentada e absolutamente não-linear que o permeia, muitas vezes, se assemelha muito mais a um ensaio poético-filosófico, do que a um filme propriamente dito.
Não por acaso, o conceito de “Cinema Ensaio” ou até mesmo “Anti-Cinema”, costuma sempre ser associado a Godard.
Com referências que vão desde o clássico cinema noir dos anos 40 e 50, graças às célebres figuras do anti-herói (vivido por Belmondo) e da femme fatale (vivida por Karina), passando pelo filme de gângster, até a estética razoavelmente próxima ao cinema japonês (Ozu, em especial), “Pierrot Le Fou” é mesmo uma autêntica e genial miscelânea de referências cinematográficas, literárias e filosóficas, quase que só verdadeiramente compreensível, pelos, digamos assim, “iniciados” em relação à radical e inovadora obra godardiana.
Obs: é interessante notar a clara influência que “O Demônio das Onze Horas” exerceu no chamado Cinema Marginal Brasileiro, praticado por Rogério Sganzerla e Carlos Reichenbach, por exemplo.
Afinal, é evidente a enorme semelhança do desfecho de “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), de Sganzerla, com o clássico e irônico desfecho do filme godardiano.
Obs 2: Destaque para a genial cena em que o grande diretor norte-americano, Samuel Fuller, aparece comentando, de forma quase aleatória, sua visão a respeito de o que é o Cinema para ele, durante uma festa (fictícia) em “Pierrot Le Fou”.
Em resumo: radicalismo narrativo, frases icônicas e inesquecíveis, dilemas político-existenciais, uma diva suprema (doce e empoderada, ao mesmo tempo) e um protagonista que se assemelha a um misto de Humphrey Bogart com Serge Gainsbourg; tudo isso é “O Demônio das Onze Horas”, uma obra-prima godardiana, atemporal.
No elenco também tem Graziella Galvani, Jean-Pierre Léaud, Dominique Zardi, Laszlo Szabo, Henri Attal.
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Parabéns pelo Artigo
Muito obrigado, Samuca. Grande abraço!
Parabéns pela análise Xará
Muito obrigado, Xará. Grande abraço!
Parabéns pelo artigo.
Um dos filmes mais importantes da Nouvelle Vague e um dos melhores de Godard.
Muito obrigado, Marcelo. Sim, eis um dos melhores trabalhos do gigante de óculos escuros, chamado Jean-Luc Godard e, sim, um dos grandes clássicos da Nouvelle Vague francesa. Filme inovador em termos narrativos e, embora difícil num primeiro momento, divertido a sua maneira, com um senso de humor muito peculiar…
Achei esse filme difícil pra caramba. Você explicou bem! Paeabéns!
Olá, Boa. Sim, é um filme bastante “hermético” e de difícil compreensão, num primeiro momento. Mas, extrema inovador e com um senso de humor, bastante peculiar. Muito obrigado pelo teu comentário, viu? Grande abraço!