Marcelo Kricheldorf
Alejandro Jodorowsky Prullansky nasceu em 17 de fevereiro de 1929, em Tocopilla, uma pequena cidade no deserto do Atacama, Chile. Filho de imigrantes judeus ucranianos, Jaime Jodorowsky Groismann e Sara Felicidad Prullansky Arcella, ele cresceu em um ambiente culturalmente rico, mas economicamente modesto. O deserto árido de Tocopilla, com sua vastidão e silêncio, marcou profundamente sua imaginação, alimentando temas de isolamento, transcendência e opressão em sua obra.
Desde cedo, Jodorowsky foi atraído pelo circo — seu pai era dono de um pequeno circo —, pelo teatro e pela poesia. Estudou filosofia e psicologia na Universidade do Chile, mas abandonou os estudos para se dedicar às artes. Em 1953, mudou-se para Paris, onde se aproximou do movimento surrealista, conhecendo personalidades como Luis Buñuel e André Breton. Lá, criou mimodramas (teatro de mimes), performances experimentais que misturavam gestos, máscaras e poesia, explorando o absurdo e o inconsciente.
Em 1960, Jodorowsky migrou para o México, onde começou a trabalhar no cinema. Seu primeiro filme, Fando y Lis (1968), baseado em uma peça de Fernando Arrabal, foi um escândalo: exibido no Festival de Acosta, foi destruído por manifestantes, e ele próprio foi preso. O tom surreal, erótico e provocativo já anunciava o estilo que o definiria.
O sucesso relativo veio com El Topo (1970), um western psicodélico e simbólico, protagonizado por ele mesmo como um pistoleiro cego que carrega seu filho pelo deserto. Cultuado por Allen Ginsberg e John Lennon (que o financiou parcialmente), o filme virou um marco underground. Seguiu com A Montanha Sagrada (La Montaña Sagrada,1973), uma odisseia mística com nove peregrinos escalando um ziggurat, crítica ao capitalismo e viagem esotérica.
Em 1975, Jodorowsky tentou adaptar Duna, de Frank Herbert, com produção de $10 milhões, H.R. Giger (monstros) e Orson Welles (Barão Harkonnen). O projeto faliu, mas virou lenda: influenciou Blade Runner, Star Wars, e consolidou seu status de “visionário maldito”.
Nos anos 80, afastado do cinema mainstream, Jodorowsky explorou quadrinhos (The Incal, 1981, com Moebius), literatura e Tarot (publicou El Tarot Mítico). Em 1989, voltou com Santa Sangre, um horror visceral sobre um filho com tatuagem da fênix e uma mãe-circense, reforçando seu culto. Em 2016, lançou Poesía Sin Fin, um anti-filme autobiográfico, fragmentado e poético.
Hoje, Jodorowsky é ícone cult, celebrado por Tarantino, Lynch, del Toro. Esoterismo, silêncios épicos: ele incendeia. Mora em Paris, segue escrevendo, desenhando, “sendo alquimista”.
Aqui estão os principais filmes dirigidos por ele:
La Cravate (1957) – Curta-metragem
Fando y Lis (1968)
El Topo (1970)
A Montanha Sagrada (The Holy Mountain) (1973)
Tusk (L’éléphant blanc) (1980)
Santa Sangre (1989)
O Ladrão do Arco-Íris (The Rainbow Thief) (1990)
A Dança da Realidade (La Danza de la Realidad) (2013)
Poesia Sem Fim (Poesía Sin Fin) (2016)
Psicomagia – A Arte que Cura (Psychomagie, un art pour guérir) (2019) – Documentário
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