Análise do filme Luta de classes (2025)

Critica de Filmes

Direção: Spike Lee.Com Denzel Washington, Ilfenesh Hadera, ASAP Rocky, Ice Spice, Jeffey Wright, Dean Winters e Ricky Fox Spike Lee com certeza vai deixar um legado como o diretor que abriu caminho para a representatividade negra no cinema americano, dentre outros para Norman Jordan Peele. Sua parceria com Denzel Washington rendeu filmes potentes, talvez “ Malcom X “ seja o maior exemplo. Em “ Luta de classes “ o diretor mais uma vez faz uma adaptação de um filme asiático. Sua versão do thriller sul coreano “ Oldboy “ de Park Chan-Woo deixou muito a desejar..Isso não o impediu de navegar por mares mais bravios ao adaptar o clássico “ Céu e Inferno “ de Akira Kurosawa(1963) trazendo o mesmo para o mundo da música dentro da Nova York atual. Denzel é um gigante, e nesse filme mostrou que aos 70 anos tem o mesmo vigor artístico de sempre. Ele vive King, um magnata dos estúdios voltados à música negra no melhor estilo Motown, que no entanto não conseguiu evoluir no tempo. Conviveu com Stevie Wonder e não entende o mundo das plataformas digitais como Spotify ou mesmo o poder que lançar um vídeo no Tik Tok ou Instagram tem de alavancar ou destruir uma carreira. O arco dramático do seu personagem é trabalhado a partir do sequestro do filho de seu melhor amigo em uma emboscada feita para o seu próprio. King tem de resolver pagar ou não uma quantia milionária em troca da vida do rapaz. Nesse momento não existe maniqueísmo, o protagonista cogita deixar o garoto morrer e ficar com o dinheiro. Um personagem dúbio, que vai mudando de ideia ao ver o quanto sua imagem pública seria abalada com o fato. No segundo ato ele meio que se transforma em um homem correto ( o que soa meio inverossímil) e dá lições de moral ao sequestrador..Porém é nessa parte que o filme se torna divertido, com cenas de perseguição e muitos números musicais, sendo claramente o estilo musical uma fonte de conflito: os raps cheios de palavrões se opõem ao que o chefão de estúdio considera boa música, sem perceber que as letras retratam uma realidade social que ele não vive. O terceiro ato traz uma redenção a King, à sua amizade com seu amigo Paul ( Jeffey Wright) pai do rapaz sequestrado e com sua família. Lee acertou dessa vez, com personagens humanos e trilha sonora de alto nível.

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