País enfrenta aumento na onda de agressões contra público feminino
Nos últimos tempos, o Brasil vem contabilizando uma triste estatística de feminicídios e diferentes formas de agressões as mulheres em diversos locais, sejam por ex-companheiros ou não, exigindo uma resposta a altura de toda a sociedade junto as autoridades. Infelizmente, o mesmo vem ocorrendo no Japão.
Chamado no país asiático pelo termo “Butsukari Otoko” que em português se traduz como “homens que atacam mulheres”, os ataques ocorrem de forma abrupta e deliberada ao colidirem de forma proposital com as mulheres em diferentes espaços públicos como: estações de trem e metrô, escadarias até e mesmo nas ruas, utilizando os cotovelos além de golpes mais violentos contra as vítimas que têm o físico mais frágil como idosas, gestantes e até mesmo mães com carrinhos de bebês. Jovens também não estão imunes quando estão distraídas ao usar o celular, por exemplo.
Os casos ganharam destaque pelo veículo de imprensa Japan Times, onde é dito que a superlotação no transporte público facilitam as ações dos autores. Em novembro de 2024, houve o registro de uma mulher que teve uma fratura na costela ao ser agredida.

Foto: superlotação no transporte público favorece ação de criminosos
Motivações são diferentes dos casos brasileiros
O perfil dos agressores é geralmente de homens de meia-idade e segundo alguns especialistas locais em violência urbana, as motivações são diferentes dos casos brasileiros, onde em boa parte são por término de relacionamentos e a sua não aceitação pelo lado masculino.
Relatos de observadores do tema expõem que muitos destes agressores frequentam ou participam de comunidades em que se intitulam como “incels” ou “red pills”, termos conhecidos no ocidente por homens que desprezam o sexo feminino com visões ultraconservadoras propondo a submissão e obediência destas, utilizando condutas de violência física ou psicológica.
Uso de frases como Sutoresu kaishô (expulsão ou liberação de estresse) são mencionados pelos acusados, além de Jama nada yo (você está no meu caminho) e Doke yo (afaste-se) em ”defesa” de seus atos.
Também há os que obstruem de forma proposital o caminho, onde são tratados como Dokanai ojisan (homens que não se movem), e ainda os Tsuiseki-gata (rastreadores); violentadores que selecionam os seus alvos de forma premeditada para depois seguir e atacar.
Japonesas discutem como se defender
Em comunidades onde mulheres e seus defensores se comunicam, integrantes compartilham sugestões para que as vítimas possam se defender dos agressores. Expressões ditas em voz alta como “Itai” (ele me machucou) ou “Abunai” (tenha cuidado) podem chamar a atenção das pessoas ao redor, caso haja algum movimento suspeito.
Além destes, a frase “Tasukete kudasai” (ajude-me, pro favor) pode também alertar e afastar o criminoso. Se possível, o registro fotográfico é de grande valia junto ao registro de uma queixa posteriormente.
As empresas que gerem as estações ferroviárias utilizam uma classificação destas atos: o nome dado é Meiwaku koi (comportamento incômodo), a fim de registrar o ocorrido, e facilitar a identificação do agressor para que este responda judicialmente pelo ato praticado.
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