Análise do filme: Matar ou Morrer 1952

Critica de Filmes

O filme Matar ou Morrer (título original High Noon), lançado em 1952 e dirigido por Fred Zinnemann, é um dos westerns mais influentes da história do cinema. Estrelado por Gary Cooper no papel do xerife Will Kane, o longa se destaca por romper com a visão tradicional do herói invencível do faroeste, apresentando um protagonista vulnerável, solitário e moralmente dividido.
A história acompanha os acontecimentos de poucas horas na vida de Kane, que acaba de se casar e se preparar para deixar a cidade quando descobre que um criminoso que ele prendeu no passado está voltando para se vingar. O diferencial do filme está no fato de a narrativa ocorrer quase em tempo real, criando uma sensação constante de urgência e tensão à medida que o meio-dia se aproxima.
Will Kane tenta reunir ajuda entre os moradores da cidade, mas encontra apenas medo, indiferença e oportunismo. Esse aspecto revela uma crítica forte à covardia coletiva e à fragilidade dos valores sociais. O filme questiona a ideia de comunidade e mostra como, em momentos de crise, as pessoas tendem a se afastar da responsabilidade moral.
Gary Cooper entrega uma atuação contida e extremamente expressiva, transmitindo o conflito interno do personagem mais por gestos e silêncios do que por diálogos. Sua interpretação rendeu o Oscar de Melhor Ator e ajudou a consolidar o tom mais realista e psicológico que o western começava a assumir nos anos 1950.
Outro elemento marcante é o uso simbólico do relógio, constantemente mostrado ao longo do filme. Ele reforça a passagem implacável do tempo e a inevitabilidade do confronto final. A trilha sonora, especialmente a canção “Do Not Forsake Me, Oh My Darlin’”, também contribui para intensificar o clima de tensão e isolamento do protagonista.
Matar ou Morrer pode ser interpretado como uma alegoria política de seu tempo, sendo frequentemente associado ao macarthismo e às perseguições ideológicas nos Estados Unidos. O isolamento de Kane reflete a situação de indivíduos que se recusavam a se calar diante da injustiça, mesmo quando abandonados por colegas e amigos.
A influência de Matar ou Morrer pode ser percebida em inúmeros filmes posteriores, tanto no faroeste quanto em outros gêneros. Sua abordagem psicológica, o uso do tempo real e a reflexão moral sobre responsabilidade individual inspiraram cineastas ao longo das décadas. O filme permanece atual justamente por tratar de dilemas humanos universais, mostrando que coragem e integridade muitas vezes exigem enfrentar a solidão.
Por fim, o filme se consagra como um marco do cinema clássico por sua narrativa enxuta, profundidade temática e coragem em subverter expectativas do gênero. Matar ou Morrer não é apenas um western sobre um duelo, mas uma reflexão poderosa sobre ética, dever e solidão diante do medo coletivo.
Ficha Técnica:
• Título Original: High Noon
• Direção: Fred Zinnemann
• Roteiro: Carl Foreman
• Elenco Principal: Gary Cooper, Grace Kelly, Lloyd Bridges, Thomas Mitchell
• Produção: Stanley Kramer
• Fotografia: Floyd Crosby
• Trilha Sonora: Dimitri Tiomkin (Compositor)
• Ano: 1952
• País: Estados Unidos
• Gênero: Faroeste, Drama
• Duração: ~84-85 minutos
• Formato: Preto e Branco (P&B)
• Idioma Original: Inglês 
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62 thoughts on “Análise do filme: Matar ou Morrer 1952

  1. Um dos maiores faroestes de todos os tempos e perfeita a interpretação de Gary Cooper.
    Um direção impecável de Fred Zinnemann.
    Ótimo artigo meu amigo.

  2. Filme maravilhoso da Época de Ouro do cinema Hollywoodiano.
    Além de um Western poderoso é um drama psicológico e um suspense da melhor qualidade.
    Trabalho memorável de Gary Cooper e direção impecável do artesão Fred Zinnemann.
    Excelente análise e deixo uma sugestão – por gentileza, analise a obra CONSCIÊNCIAS MORTAS com o excelente Henry Fonda.

  3. Usando o símbolo do Relógio Ricardo, você foi pontual, trouxe com mestria os principais pontos do clássico faroeste revisionista. Parabéns pelo artigo.

  4. Filme muito bom, apesar de ja fazer muitos anos que assisti esse clássico do Oeste, lembro pouco do enredo, mas meu pai e eu assistomos em um cinema que ja nem existe mais.

  5. Agradeço ao Ricardo pela excelente análise do filme Matar ou Morrer (1952). Sua leitura foi clara, profunda e sensível, destacando com precisão os conflitos morais, a solidão do protagonista e a força simbólica da narrativa. A análise enriqueceu ainda mais a compreensão do filme e valorizou a importância dessa obra clássica do cinema.

  6. Que filme bom! Te prende do começo ao fim! Agente sente a frustração e angústia junto com personagem! Realmente um grande filme afrente do seu tempo!

  7. Parabéns, Ricardo! Sua análise foi incrível! Você conseguiu capturar a essência do filme e compartilhar sua visão de uma forma clara e envolvente. Continue assim!

  8. O filme é bem político, se levarmos em conta a época em que foi criado o inteligente roteiro. Achei interessante o mocinho sentir medo, mas seu senso de dever conseguir superar isso. Não consigo imaginar outro ator que não Gary Cooper interpretando o Protagonista! Ótima Análise, Ricardo!

  9. Matar ou Morrer, dirigido por Fred Zinnemann, é um dos westerns mais emblemáticos da história do cinema justamente por romper com o modelo clássico do herói invulnerável. Estrelado por Gary Cooper no papel do xerife Will Kane, o filme constrói uma narrativa centrada na fragilidade humana, no senso de dever e na solidão moral diante do medo coletivo.

  10. Achei muito interessante a análise. É preciso mesmo ir buscar nas entrelinhas, analisar a fundo a que o filme está se propondo. Há diversas pessoas que enfrentam esse problema na vida, de abandono, de conviver com a falta de integridade de outras. Essa questão de falta de união das pessoas é para qualquer época. Parabéns, Ricardo! Excelente texto!

  11. Essa produção como falaram acima, fala sobre um homem lutando sozinho contra os bandidos numa cidade que decide se isolar. Faroeste com suspense, e Gary Cooper ganhou o seu Segundo Óscar. Recomendo também a Paródia Brasileira: “Matar ou Correr”, de 1954.

  12. Seus textos são uma grata surpresa, Ricardo! Você escreve bem pra caramba! Parabéns!
    Matar ou Morrer é um dos meus faroestes preferidos entre os que assisti até hoje. A sua análise é um complemento perfeito para entender o filme. Nada melhor do que um especialista em faroestes para explicar o gênero. Espero ler outras resenhas suas sobre os clássicos do gênero. Parabéns pela resenha mais uma vez!

  13. Aqui vai um comentário crítico sobre a sua análise:

    O texto apresenta uma análise clara, bem estruturada e madura de Matar ou Morrer, demonstrando domínio tanto do contexto histórico quanto dos elementos cinematográficos do filme. A introdução situa corretamente a obra no gênero western e já aponta seu principal diferencial: a desconstrução do herói clássico, o que dá um bom direcionamento para o restante da análise.

    Um dos pontos fortes é a forma como você articula narrativa, temática e contexto histórico, especialmente ao relacionar o isolamento de Will Kane com a crítica à covardia coletiva e ao macarthismo. Essa leitura amplia o significado do filme e mostra capacidade interpretativa, indo além do resumo da trama.

    A análise da atuação de Gary Cooper é precisa e bem fundamentada, destacando o uso da linguagem corporal e do silêncio como recursos expressivos. Da mesma forma, a menção ao relógio e à trilha sonora evidencia atenção aos elementos simbólicos e técnicos, enriquecendo a leitura do filme.

    Como sugestão de aprimoramento, você poderia:

    Incluir uma breve menção à personagem Amy Kane, explorando o contraste entre pacifismo e ação.

    Variar um pouco a estrutura das frases em alguns parágrafos para evitar repetições rítmicas.

    Acrescentar uma citação curta ou referência crítica, caso o texto seja acadêmico.

    No conjunto, trata-se de uma análise consistente, bem escrita e reflexiva, adequada tanto para contexto escolar avançado quanto universitário. O texto evidencia compreensão profunda do filme e de seus dilemas morais, reforçando por que Matar ou Morrer permanece relevante até hoje.

  14. Acho que os Filmes de Faroeste ao longo das Décadas nos fez entender muita coisa relacionada a Justiça Social e integridade humana. Este Filme em Questão e um deles.
    De fato, um Filme maravilhoso e uma excelente Crítica feita por vc .

    Parabéns Alexandre!!

  15. Acho que os Filmes de Faroeste ao longo das Décadas nos fez entender muita coisa relacionada a Justiça Social e integridade humana. Este Filme em Questão é um deles.
    De fato, um Filme maravilhoso e uma excelente Crítica feita por vc .

    Parabéns Alexandre!!

  16. Ótima análise e sinopse do filme.
    Parabéns sempre esclarecedor na sua análise.
    Sempre que assisto ao filme percebo novas nuances que não havia percebido antes.
    De certo modo o filme em questão se aplica à nossa época também, onde poucas são as pessoas que têm a coragem de defender seu ponto mesmo ficando sozinhas.

  17. Pra mim o mais interessante no filme é um protagonista mais próximo da fragilidade humana. Geralmente vemos o mocinho heróico, intrépido,bom de mita q enfrenta uma quadrilha e mata a todos saindo incólume .Aqui o mocinho mostra-se vulnerável e pede a ajuda dos moradores para encarar o bandido implacável q vem para mata-lo. Boa alegoria de Zimmerman

  18. Foi o faroeste e filme que eu mais assisti na minha vida.
    Faroeste psicológico muito bem trabalhado e que fugiu dos clichês tradicionais para não ser um simples faroeste.
    A canção acompanha o filme em forma de narração.
    Howard Hawks ficou indignado com esse filme e fez Onde começa o inferno como uma resposta para esse filme.
    Soube que Matar ou morrer teve uma sequência e também um remake.

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