Marcelo Kricheldorf
Desde a primeira projeção dos irmãos Lumière, o cinema consolidou-se não apenas como uma forma de entretenimento, mas como uma potente ferramenta de intervenção social. No cenário contemporâneo, onde a imagem possui um domínio sem precedentes sobre a forma de pensar das pessoas, a sétima arte atua como um espelho que não apenas reflete, mas molda a moralidade e os valores da sociedade. Através de narrativas que transitam entre a representação da realidade e a construção de novas identidades, o cinema exerce uma influência profunda que influência na política, na educação e na ética global.
A eficácia do cinema em influenciar a moralidade reside na sua capacidade de Representação da Realidade. Ao projetar dilemas humanos em tela, o cinema permite que o espectador vivencie experiências alheias, promovendo a empatia. Esse processo é fundamental para a Construção de Identidades, especialmente entre a juventude. Para o público jovem, os heróis e anti-heróis cinematográficos servem como bússolas morais, definindo padrões de comportamento e aspirações. Quando o cinema prioriza a representação de grupos minoritários de forma digna e complexa, ele retira esses grupos da invisibilidade social, combatendo estereótipos enraizados e promovendo uma evolução da moralidade coletiva que abraça a diversidade.
A transmissão de valores ocorre de forma quase instantânea. Filmes estabelecem o que é considerado “certo”, “heroico” ou “vilanesco”. No entanto, essa ferramenta é ambivalente. Se, por um lado, o cinema é um palco para a crítica social e para a educação e conscientização; denunciando crises climáticas, desigualdades econômicas e abusos de poder, por outro, ele historicamente foi utilizado como instrumento de Propaganda e Manipulação.
Regimes totalitários e agendas políticas específicas muitas vezes instrumentalizaram a narrativa fílmica para moldar a opinião pública, demonstrando que a influência na política é direta: quem controla a narrativa cinematográfica possui o poder de pautar o debate público e a ética de uma nação.
A evolução da moralidade através das décadas é visível na mudança dos códigos de conduta nas telas. O que era tabu há cinquenta anos hoje é apresentado como parte integrante da experiência humana, forçando a sociedade a reavaliar seus próprios preconceitos. Nas salas de aula, o uso do cinema como ferramenta pedagógica transcende a ilustração histórica; ele convida o aluno ao pensamento crítico. Ao analisar um filme, o indivíduo é provocado a questionar o status quo, transformando a recepção passiva em uma ação de cidadania consciente.
Por fim, o cinema é um dos pilares de sustentação e transformação dos valores sociais. Sua capacidade de educar, conscientizar e até manipular exige um olhar crítico por parte dos espectadores. Para que a influência da sétima arte continue a promover uma moralidade mais justa e inclusiva, é essencial que haja pluralidade de vozes na produção cinematográfica. Somente através de uma tela diversificada e crítica será possível garantir que o cinema cumpra seu papel mais nobre: o de ser uma ferramenta de humanização e progresso ético para a sociedade.
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Parabéns pela análise