Em meio aos meus estudos e pesquisas, me fiz uma pergunta simples, o que aconteceu de tão importante em fevereiro que mudou o cinema, sua forma de existir e de se fazer? Que marco merece ser lembrado hoje? Foi então que me deparei com uma data fundamental:
5 de fevereiro de 1919 – a fundação da United Artists e a luta pela autonomia artística.
Naquele dia, os grandes “superstars” de Hollywood, Charlie Chaplin, Mary Pickford, Douglas Fairbanks e o diretor D. W. Griffith, tomaram uma decisão ousada para a época: fundaram a United Artists Corporation, concordando em dividir entre si não apenas o controle administrativo e financeiro, mas, sobretudo, o controle artístico de suas obras.
E é impossível não destacar quem estava no centro dessa grandiosidade: Charlie Chaplin.
Diretor, ator, criador absoluto. Uma das minhas maiores referências do cinema mudo. Alguém que eu gostaria profundamente de ter conhecido. Só de pensar em seus gestos, movimentos e na força expressiva de seu corpo em cena, já me emociono. Chaplin não atuava apenas, ele comunicava a alma.
Mas por que esse momento é tão importante para nós hoje?
Não apenas como um fato histórico, mas como reflexo direto do que somos e vivemos enquanto artistas.
A United Artists foi o primeiro estúdio de Hollywood controlado pelos próprios artistas, e não por homens de negócios. Essa união de Chaplin, Pickford, Fairbanks e Griffith representou uma ruptura clara com o sistema dominante da época, e até hoje é considerada um marco definitivo na história do cinema.
É importante lembrar que, em 1919, Hollywood já operava sob o rígido sistema dos grandes estúdios, que controlavam praticamente tudo:
- os contratos
- a imagem dos artistas
- a distribuição dos filmes
- as decisões criativas
A maioria dos atores e diretores não tinha qualquer controle sobre seus próprios filmes.
Os fundadores da United Artists tinham algo em comum: Charlie Chaplin, um gênio criativo, cada vez mais incomodado com a falta de liberdade artística.
Mary Pickford, uma das maiores estrelas do cinema mudo, conhecida como “America’s Sweetheart”.
Douglas Fairbanks, ator carismático, aventureiro e extremamente popular.
D. W. Griffith, diretor inovador e influente, embora controverso.
Todos compartilhavam o mesmo desejo: decidir o que filmar, como filmar e quando lançar.
Por que a United Artists foi revolucionária? Porque ela não nasceu para produzir filmes em massa. Nasceu para distribuir filmes feitos por artistas, e não por executivos.
Foi um gesto claro de ruptura, quase um manifesto silencioso que dizia:
“A arte não pode ser refém apenas do mercado.”
A United Artists abriu caminho para:
- o cinema autoral
- a independência criativa
- novos modelos de produção
- a valorização do artista como criador e gestor
Certamente foi e é um impacto para o Cinema, fora que influenciaram gerações de cineastas independentes e provocaram artistas na seguinte questão: nós artistas podemos conduzir nossas próprias obras.
Chaplin acreditava que a persistência era essencial para a criação. Não por acaso, deixou a frase: “A persistência é o caminho do êxito.”
E talvez seja exatamente isso que esse marco histórico nos lembra até hoje: a coragem de insistir, de romper, de defender a própria arte, mesmo quando o sistema tenta silenciá-la.
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