Analise “Orwell: 2+2 = 5 (2025)

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Orwell, um manifesto contra o totalitarismo

Quem ainda não se deu conta do risco que representa o avanço das ideias e governos totalitários no mundo, ou ainda está esperando a versão para colorir do livro 1984, compre ingresso para o documentário Orwell, 2+2 =5, em cartaz nos cinemas a partir do próximo dia 12.
Os que já leram alguma das múltiplas edições de 1984 ou A Revolução dos Bichos, vão se divertir ao ligar os pontos semelhantes entre mandões de hoje com o Grande Irmão, o Big Brother, descrito por George Orwell (1903-1950), pela primeira vez em 1949.
O BBB da TV usa o conceito da observação contínua, utilizado pelo escritor, para descrever uma polícia que controlava todos os movimentos dos cidadãos e os obrigava a seguir regras e crenças rigorosas, mesmo que fossem mentirosas. Qualquer deslize era punido com tortura.
Como o bacilo de Koch, que aparece nas imagens de abertura do documentário, e corroeu com a tuberculose o pulmão do escritor, a profusão de notícias falsas em diversas versões e mídias corrói a democracia. Uma doença silenciosa que debilita o paciente até matá-lo.
O diretor do filme, Raoul Peck, de origem haitiana, que também dirigiu “Eu não sou seu negro”, sobre o escritor americano James Baldwin, mostra didaticamente como o totalitarismo precisa da mentira para se perpetuar no poder. Precisa convencer, como no livro, que liberdade é escravidão, guerra é paz, ignorância é força, e no fim das contas, que 2+2=5.
Algo semelhante aconteceu quando o presidente americano Donald Trump não se intimidou ao comparar a foto da multidão que compareceu à posse de Obama com a de sua posse, com muito menos gente, e dizer que seu evento foi muito maior. É minha “verdade alternativa”, justificou.
O documentário aproveita os diversos filmes já feitos com base no livro 1984, cartas e textos de Orwell, além de cenas recentes, para contar a vida do escritor, numa narração contínua em voice over por Damian Lewis, mais conhecido por seu papel na série Irmãos de Guerra, (Band of Brothers), como Major Winters.
O diretor deixa claro seu engajamento na escolha das vozes da jornalista filipina Maria Ressa, da professora Shoshana Zuboff , da Universidade de Harvard, e do filósofo francês Pierre Bordieu, para criticar as mentiras veiculadas palas redes digitais, com a ajuda dos proprietários dos maiores conglomerados da internet, como Amazon, Google e Facebook.
No filme, Bordieu taxa as grandes empresas de comunicação de fantoches dos governos autoritários. Sobra até para os irmãos Marinho, da rede Globo do Brasil. O presidente argentino Javier Milei, aparece enfileirado com ditadores de vários continentes.
O diretor Roul Peck aproveita as imagens de líderes dos Estados Unidos, Rússia, China, Myanmar, França, Hungria e Itália e Uganda para mostrar as coincidências de pensamento e postura entre os governantes dos diversos países. Assim como imagens de repressão e crueldade, ao lado de justificativas mentirosas dos repressores.
O documentário captura o famoso passo de ganso, dos desfiles militares durante o nazismo, repetido na Coréia do Norte, regime supostamente comunista. Um passo que seria ridicularizado na rua é exibido orgulhosamente e simultaneamente por milhares de soldados.
“É como se eles pisassem no pescoço de uma pessoa”, diz o narrador. Um bom gancho para lembrar a morte de George Floyd, em 2020, sufocado sob o joelho de um um policial branco em Minneapolis, repetindo que não conseguia respirar.
“I can’t breathe”, virou palavra de ordem para o movimento Black Lives Mather que disparou manifestações de protesto no mundo inteiro. George Orwell também morreu sem respirar, por causa da tuberculose, mas deixou um dos maiores manifestos contra o bacilo do totalitarismo.

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