Análise do filme “Deixa Ela Entrar” (2008-2010)

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Deixa Ela Entrar VS Deixe-me Entrar: Em Defesa de um “Remake”.

Låt den rätte komma in (Deixa Ela Entrar)é um filme sueco de 2008, dirigido por Tomas Alfredson e baseado no livro do escritor sueco John Ajvide Lindqvist, que também escreveu o roteiro. O filme se passa em Blackeberg, subúrbio de Estocolmo. Oskar (Kare Hedebrant) é um garoto de 12 anos que sente-se só. Na escola ele sempre é provocado por outros garotos e, apesar da raiva que sente, é incapaz de reagir. Um dia, ao brincar no pátio repleto de neve do prédio onde mora, ele conhece Eli (Lina Leandersson). Ela é uma garota pálida e solitária, que se mudou para a vizinhança recentemente, em companhia de seu suposto pai. Apesar do temor em se aproximar de Oskar, logo Eli se torna sua amiga. Paralelamente, uma série de assassinatos macabros acontecem, em que o sangue das vítimas é retirado. Eli está envolvida com estes fatos, de uma forma que Oskar jamais poderia imaginar.

Em 2010 foi lançado “Deixe-me Entrar” estrelado por Chloe Grace Moretz, uma co-produção americana da lendária Hammer Films. Owen (Kodi Smit-McPhee) é um garoto solitário, que vive com a mãe e é sempre provocado pelos valentões da escola. Um dia ele conhece, perto de sua casa, Abby (Chloe Moretz). Sempre nas sombras, ela aos poucos de aproxima de Owen e logo se tornam amigos. Só que Abby possui um segredo: ela é muito mais velha que sua aparência indica e necessita de sangue para sobreviver. Para consegui-lo, seu acompanhante (Richard Jenkins) realiza assassinatos na surdina, de forma a retirar o sangue das vítimas e levá-lo para Abby.

Na época do lançamento do “remake” muitos criticaram e falaram que era muito inferior, que era muito “diferente” do filme original, pois bem, existe uma razão muito específica para os filmes serem “diferentes”, ambos são adaptações do livro. E nenhum dos dois está 100% fiel. A adaptação sueca mantém um pouco mais do clima melancólico que está presente em toda a leitura (muito pesada por sinal) mas ainda assim suaviza e muito toda a trama (e subtrama que foi eliminada das duas adaptações) e não foca na exploração sexual vivida por personagens menores de idade ao redor de Oskar/Owen.

As duas adaptações tem seus méritos, enquanto a sueca é mais climática e aposta numa atmosfera densa e poética, a adaptação americana já vai pelo caminho mais perto de uma linguagem pop, como a utilização de câmeras frenéticas em sequências mais movimentadas (em especial os planos feitos dentro de um carro capotando), a Eli/Abby também é bem diferente da descrita no livro, especialmente na adaptação americana em que escancara de vez um possível romance com Oskar/Owen, no livro ela é uma personagem amarga, fria em excesso e que nunca demonstra que sente algo (nem mesmo um sentimento de amizade real) por Oskar/Owen. O garoto é tratado de fato como um escravo por Eli/Abby no livro, todas as menções de carinho e afeto partem sempre dele.
Recomendo que quem tenha assistido as duas adaptações, leiam também esse magnífico livro, um dos melhores que já tive o prazer de ler.


“Deixe Ela Entrar” e “Deixe-me Entrar” são duas grandes adaptações, ambas tem seus méritos e deméritos, ambas vão por linguagens e caminhos opostos mas que se completam e ainda assim deixam muita, mas muita coisa que existe no livro faltando, até entendo o motivo, já que no livro tudo é graficamente explícito nas descrições apresentadas. Leiam o livro, assistam as duas adaptações e tirem suas conclusões.

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