Passaram-se mais de vinte anos e o filme Lisbela e o Prisioneiro, baseado na peça de teatro do escritor pernambucano Osman Lins, continua no imaginário do público. Mas, o que explica o sucesso duradouro desta comédia romântica?
O filme não envelheceu e sua graça permanece atual. A direção do também pernambucano Guel Arraes equilibra bem romantismo e comédia; e traz uma brasilidade irresistível. O cineasta, que foi diretor de dramaturgia da Rede Globo até 2018, foi responsável por pérolas na televisão como Armação Ilimitada, TV Pirata e A Comédia da Vida Privada. E no cinema nos brindou com o antológico “O Auto da Compadecida”(2000), da obra de Ariano Suassuna, entre outros filmes.
Antes de virar filme, Arraes já tinha levado Lisbela e o Prisioneiro para a televisão como um episódio do programa Caso Especial. No elenco estavam Diogo Vilela, Giulia Gam, Claudia Raia, Edson Celulari e Marco Nanini. Depois, Lisbela teve uma carreira bem sucedida no teatro.
O filme teve uma audiência de mais de três milhões de espectadores, e foi o sétimo filme mais visto em 2003. Apesar de abusar dos cortes, a decupagem excessiva não prejudica a história. E a singeleza e espontaneidade da personagem principal continuam a transmitir encanto e magia.
Debora Falabella vive brilhantemente Lisbela, a jovem filha do Tenente Guedes (André Mattos). Ela está de casamento marcado com o insuportável Douglas (Bruno Garcia), personagem que oferece alívio cômico para a trama, mas que carrega um certo exagero incômodo. Lisbela se apaixona pelo conquistador Leléu (Selton Mello), espécie de Don Juan nordestino, que está fugindo do matador Frederico Evandro, vivido pelo sempre impecável Marco Nanini. E ambos farão de tudo para ficarem juntos.
Na trama, há ainda a sensual Inaura (Virginia Cavendish), mulher de Evandro. Tadeu Mello interpreta o Cabo Citonho e Livia Falcão, sua namorada Francisquinha.
A graça do filme está na intersecção entre os filmes de seriados americanos que Lisbela assiste no cinema com o noivo e as vivências da moça. A romântica Lisbela compara cada cena do cinema com os acontecimentos de sua vida, numa espécie de metalinguagem. O filme todo é um mix entre o Nordeste brasileiro e Hollywood.
A paleta de cores explora de forma maniqueísta o contraste entre a mocinha Lisbela, sempre de vestidos de saia rodada nas cores branco e rosa, e a femme fatale Inaura, com roupas sensuais em tons de vermelho, numa referência clara aos filmes da era de ouro de Hollywood.
Ainda devemos destacar a trilha sonora de Lisbela como um dos seus maiores atributos. Canções como Você Não Me Ensinou a Te Esquecer, de Fernando Mendes, na voz de Caetano Veloso; e Espumas ao Vento, do pernambucano Accioly Neto, cantada por Elza Soares, são icônicas até hoje. Mas há muitas mais – como a clássica A Deusa da Minha Rua, de Jorge Faraj e Newton Teixeira e interpretada por Yamandu Costa e Geraldo Maia; A Dama de Ouro, de Zéu Britto; A Dança das Borboletas, de Zé Ramalho; e Lisbela, de Los Hermanos, entre outras.
O elenco tem ainda Carlos Casagrande, Heloísa Périssé, Armando Tiraboschi, Cláudio Perotto, Luis Carlos de Moraes, Paula Lavigne, Zeca Veloso, Marília Gabriela e outros.
Lisbela e o Prisoneiro está disponível no You Tube.
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Um ótimo filme brasileiro e a crítica faz jus ao delicioso entretenimento que é assistir essa pérola do cinema nacional.
Obrigada pelo comentário, Marcos!
Parabéns pela análise.
Esse filme é um marco do nosso cinema.
Até hoje eu me divirto.
Obrigada, Samuca!
Parabéns pela sua crítica, muito bem escrita, ressaltando os pontos altos desse grande filme.
Obrigada, Natasha!
Parabéns pela sua crítica, muito bem escrita, valorizando os pontos altos desse grande filme.
Concordo com você esse filme não envelheceu, continua na mesma medida: cativante, engraçado na medida certa e sempre interessante principalmente pelas atuações – parabéns pela análise minha amiga
Obrigada, Ricardo!
Parabéns pelo artigo
Obrigada, Marcelo!
Eu nunca tinha me interessado em assistir esse filme, porque não sou admirador de comédias românticas, mas depois de ler a sua resenha, fiquei curioso para vê-lo. Eu não sabia que ele tinha todos esses atributos. Parabéns pela resenha, Beatriz!
Valeu pelo comentário, Eduardo! Pode assistir sem medo! Tem no YouTube
Esse filme é mesmo muito bom. Parabéns pela análise apurada.
Agradeço o comentário, Roberto!
Parabéns por essa análise eu gostei muito da sua narrativa expressiva sobre essa comédia clássica do cinema nacional do escritor OSMAN LINS ,que foi peça teatral ,e depois o diretor GUEL ARRAES ,dirigiu e produzil pro cinema ,li na íntegra a análise e parabéns por você se interessar e escrever essa análise
Grata, amigo José Rosa!
Parabéns pela análise!
Gratidão!
parabéns pelo artigo
Eu amo esse filme!! Vi no cinema!! Parabéns pela análise Bia.
Obrigada, Shan!
Show de bola sua análise- parabéns pelo artigo
Confesso que na época não me interessei em assistir o filme. Lendo a sua análise me animei, obrigada!