O filme norte-americano “Almas Perversas”, de 1945, dirigido pelo austríaco Fritz Lang, é um exemplar de filme noir. Ele possui em seu elenco o icônico ator do gênero noir e dos filmes de gângster, Edward G. Robinson. Robinson participou de vários clássicos dos dois gêneros.
Antes de ir para Hollywood, Lang já era um diretor aclamado por ter realizado clássicos expressionistas como “Metrópolis” (1927) e “M, O Vampiro de Dusseldorf” (1931). Lang se mudou para Hollywood, devido a não concordar com o regime nazista que se instalou na Alemanha do período.
“Almas Perversas” é quase que uma refilmagem do filme anterior do próprio Lang, “Um Retrato de Mulher” (1944). Não se sabe o motivo que levou o diretor a produzir dois trabalhos tão semelhantes.
Outra curiosidade sobre “Almas Perversas”, era que Edward G. Robinson, além de ator, era pintor e colecionador de arte, como Christopher “Chris” Cross, o protagonista do filme.
Mais uma curiosidade, o sobrenome do personagem de Robinson, “Cross” significa “encruzilhada” em português, o que diz muito sobre a trajetória do protagonista do filme.
O filme trata do bancário Chris Cross, que em uma crise de meia idade, se envolve com uma mulher mais jovem, a jovem femme fatale Katherine “Kitty” March (Joan Benett). Kitty, na verdade, é uma prostituta e é noiva de seu cafetão, o cafajeste Johnny Prince (Dan Duryea). Kitty e Johnny passam a explorar Cross e a tomar-lhe dinheiro, alegando que Kitty o ama.
Cross vai se complicando cada vez mais, para satisfazer os caprichos da bela amante. Cross vive um casamento sem amor e se sujeita aos caprichos da amante por pura inocência misturada a baixa autoestima e carência emocional.
A situação vai se tornando insustentável, até o momento em que Cross ultrapassa a linha do crime para agradar Kitty. No fim do filme, ocorre a derrocada final do personagem, que desce ao inferno em um momento de desvario. O final do filme é arrebatador e dolorido para o trio de protagonistas. Não há um final feliz aqui.
Retomando a questão sobre a pintura, Cross era um artista amador. Um pintor naif. Seu hobbie era a pintura. No decorrer da trama, seus quadros se tornam famosos e vendidos por altas somas em dinheiro. Mas, como o azarado que é, Cross não colhe os frutos do sucesso. Ao invés disso, Johnny e Kitty passam a explorá-lo ainda mais. Kitty assina os quadros como se fosse a artista por trás deles. Tacada de mestre a dos produtores e do diretor, ao escolher um ator apaixonado por pintura para interpretar um personagem também aficionado por pintura.
Fritz Lang dirigiu inúmeros filmes, tanto nos Estados Unidos, quanto na Alemanha, como “O Homem Que Quis Matar Hitler” (1941), “Os Corruptos” (1953), “Suplício de Uma Alma” (1956), “Os Mil Olhos do Dr. Mabuse” (1960), dentre outros.
Já Edward G. Robinson teve uma longa carreira de mais de sessenta anos. Ele estrelou os filmes “Alma no Lodo” (1931), “Pacto de Sangue” (1944), “O Estranho” (1946), “Paixões em Fúria” (1948), “No Mundo de 2020” (1973) etc. Ele morreu de câncer em 1973, aos 79 anos. Ele recebeu um Oscar Honorário póstumo.
O filme está disponível na plataforma Filmicca e no YouTube.
No elenco também Dan Duryea, Rosalind Evan, Margaret Linday, Jess Barker, Charles Kemper, Samuel S. Hinds, Russel Hicks, Anita Sharp-Bolster, Arthur Loft, Wladimir Sokoloff.
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Parabéns pelo artigo
Parabéns pela análise – ainda não assisti esse filme, mas só fã dos atores principais e do diretor, gostei muito do seu artigo, parabéns meu nobre
Parabéns pela análise meu amigo.
Já vi esse filme e gostei da análise! O Dan Duryea é um vigarista de primeira nesta história e o personagem de Edward G. Robinson, um ingênuo.