De Kim Kardashian a Kylie Jenner, passando por Anitta, mudanças estéticas entre celebridades ajudam a explicar como padrões vêm sendo replicados nas redes sociais e no TikTok
Mandíbula marcada, lábios volumosos, pele sem textura e contornos corporais definidos. O padrão estético que domina hoje as redes sociais não surge por acaso. Ele acompanha movimentos que começam entre celebridades como Kim Kardashian, Kylie Jenner e Anitta, amplificados por algoritmos que fazem essas imagens se repetirem continuamente no Instagram e no TikTok.
Esse padrão, no entanto, não é fixo. Um dos exemplos mais claros é o de Kim Kardashian, que ajudou a popularizar o corpo mais curvilíneo, associado à alta procura por procedimentos como o Brazilian Butt Lift, e, mais recentemente, passou a exibir uma silhueta mais enxuta, reacendendo o debate sobre a mudança desse ideal
Essa dinâmica revela um ponto central: mesmo quando o padrão muda, ele continua sendo rapidamente replicado, criando ciclos cada vez mais curtos de tendência
Esse impacto já é percebido dentro das clínicas. Segundo o médico Leandro Faustino, CEO da Revion International Clinic, a procura deixou de ser por procedimentos isolados e passou a girar em torno de resultados específicos. “Hoje o paciente não pede mais uma cirurgia, ele chega com uma imagem pronta na cabeça. Isso envolve desde lipo HD até harmonização corporal e facial em diferentes etapas”, explica.
“O problema é que muitas dessas imagens são filtradas ou mostram um recorte da realidade que não é sustentável para todo mundo”, afirma.
A médica Thamy Motoki reforça que esse cenário exige cuidado. “O paciente chega com referências muito específicas, baseadas em rostos e corpos que se repetem nas redes, sem considerar biotipo, estrutura e limite do próprio corpo”, diz.
Segundo ela, procedimentos como harmonização facial, bioestimuladores e contorno corporal passaram a ser solicitados como ajustes de imagem. “Não é mais uma transformação completa, são detalhes. Só que esses ‘detalhes’ vêm de referências que nem sempre são reais”, afirma.
Esse movimento também intensificou a pressão por resultados rápidos. “Existe uma urgência maior, e isso cria uma expectativa que precisa ser alinhada com muito cuidado”, explica
Para os médicos, o desafio está em equilibrar desejo e realidade. “A estética hoje é influenciada pelo algoritmo, mas o papel da medicina é adaptar o tratamento ao corpo real do paciente, não ao padrão que ele vê na tela”, conclui Leandro.
![]()

