“O Leitor “Direção: Stephen Daldry Com Kate Winslet, Ralph Fiennes, Lena Olin, Bruno Ganz, David Kross, Alexandra Maria Lara, Linda Basset entre outros
Baseada no romance de Bernhard Schilinck a obra traz uma reflexão sobre o que a filósofa Hanna Arendt convencionou chamar de ” a banalidade do mal ” esse ” mal ” personificado na personagem Hanna Schimidt. Essa mulher comum é interpretada por Kate Winslet cuja atuação lhe rendeu o Oscar de melhor atriz, assim como o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante (?) e o Bafta .
O roteiro retrata um período temporal de 1956 até 1996, com diversos vai e vens. Um garoto se envolve e tem sua iniciação sexual com uma mulher mais velha na Alemanha pós guerra, precisamente em 1956.Hanna é muito segura na cama, mas não gosta de sair de casa, vive sozinha e não tem amigos. Além disso gosta de pedir ao rapaz, Michael, que leia para ela váriis livros e chora ao ouvir música clássica. Um dia some sem dar explicações.
Oito anos se passam até o reencontro dos dois. Entra nessa fase o grande Bruno Ganz, como um professor que leciona na faculdade de direito aonde o jovem Michael está estudando. Ao falar da ” culpa alemã ” perante o Holocausto, decide levar seus alunos ao julgamento de um grupo de mulheres condenadas por um crime de guerra.
O espectador vê a perplexidade do rapaz ao reconhecer aquela estranha que nunca esquecera de fato sendo acusada de matar, junto com outras quatro, um grupo de 300 mulheres judias. O caso ocorrera no final da guerra durante um bombardeio. Todas foram trancadas em uma igreja por fora, as únicas sobreviventes foram uma mãe e sua filha, que testemunhavam no caso.
O assassinato e a tortura que as mulheres sofreram são indiferentes aquelas ex guardas que estavam cumprindo ordens, só que vinte anos depois a vida seguiu e nenhuma queria ser presa. Usam então um segredo para pôr a culpa em Hanna, uma falta que para a mesma era pior que tudo: o fato de ser analfabeta, e esse fato é tão humilhante que ela prefere passar o resto da vida na prisão do que o revelar em público. A reconstituição de época é bem feita e Fiennes também tem uma bela interpretação ,assim como o ator adolescente David Kross.
Em uma das últimas cenas a personagem de Lena Olin, atriz sueca que trabalhou com Bergman parece também se perguntar como o ser humano pode ser tão dual. Arendt ao assistir o julgamento de Eichman em Jerusalém chocou ao dizer que: ele não era um monstro movido pelo ódio, mas queria apenas ascensão profissional, agindo sem pensamento crítico. Que as lições de Arendt sirvam como um alerta para que nós nunca sejamos imunes ao mal…
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Parabéns pela análise – excelente atuação merecidissima da atriz Kate Wislet que ganhou o Oscar de melhor Atriz