O Lenhador vai além do terror e se posiciona como uma obra que busca provocar reflexão, utilizando o gênero como ferramenta para discutir questões sociais e ambientais urgentes.
O filme já começa deixando clara a sua proposta. Em uma cena inicial de aproximadamente 10 minutos, acompanhamos a figura que dá título à obra: o lenhador. Trata-se de uma sequência angustiante de perseguição que estabelece, com eficiência, o clima de tensão que sustenta toda a narrativa.
A paleta de cores azulada e a fotografia merecem destaque, pois conseguem um efeito pouco explorado no gênero: um terror ambientado, em grande parte, à luz do dia. Essa escolha estética contribui para criar um desconforto constante, subvertendo a expectativa tradicional de que o medo habita apenas a escuridão.
A direção de Roberto Gazola também se sobressai, especialmente nas cenas em que o vilão está em ação. Em diversos momentos, o uso de câmera acompanha cada movimento e cada machadada em planos-sequência que intensificam a imersão. Aliado a isso, a trilha sonora, inserida de maneira precisa, amplifica a tensão e faz com que o espectador permaneça em estado de alerta, torcendo pela sobrevivência da protagonista.
Ao ser alertada, a bióloga acaba se deparando com o temido lenhador — e mais do que isso, presencia o momento em que ele faz uma nova vítima. A partir daí, o filme mergulha em uma sequência de perseguição intensa, entregando ao público mais uma caçada de tirar o fôlego.
Bebendo claramente da fonte do gênero slasher, O Lenhador apresenta uma versão repaginada de um estilo amplamente explorado pelo cinema norte-americano, mas com um forte toque brasileiro. Esse é, sem dúvida, um de seus maiores diferenciais: a capacidade de trazer identidade própria a um gênero já bastante saturado, resultando em uma obra criativa, com ritmo frenético e envolvente — uma ótima opção para fãs de terror que buscam algo fora do convencional.
Outro ponto interessante é a construção do próprio lenhador. Em determinados momentos, ele se aproxima de uma figura de anti-herói, alguém que parece compreender, ainda que de forma distorcida, as consequências de seus atos e, em uma situação específica, chega a agir em defesa de quem poderia ser mais uma de suas vítimas.
O filme também opta por não recorrer ao excesso de violência explícita. Mesmo sem cenas exageradamente sangrentas, as mortes são eficazes e impactantes, provando que a sugestão pode ser tão poderosa quanto a exposição.
Além disso, a presença de figuras indígenas ganha destaque ao longo da narrativa, reforçando que a obra carrega uma mensagem de conscientização ambiental e valorização das culturas tradicionais brasileiras.
Na cena final, que antecede os créditos, o filme deixa uma mensagem direta e contundente:
“O meio ambiente está morrendo! Florestas caem, rios secam, indígenas são expulsos de seu próprio lar, homens de bem são mortos, animais morrem e o mal toma conta. E isso é só a ponta do iceberg.”
Com esse encerramento, O Lenhador vai além do terror e se posiciona como uma obra que busca provocar reflexão, utilizando o gênero como ferramenta para discutir questões sociais e ambientais urgentes.
Sinopse:
Quando Beatriz tropeça em um comércio ilícito de madeira dentro de uma reserva florestal, ela se vê forçada a buscar refúgio na profundidade da selva para garantir sua sobrevivência. No entanto, ao adentrar esse ambiente hostil, ela se depara com uma ameaça ainda mais aterradora: um lenhador perturbado, à beira da insanidade, movido por uma mistura perigosa de ódio e sofrimento.
Elenco:
Rogério Rolim, Uliane Stefane, Sabrina Jaldin, Luiz Rodrigues, Yanne Anttunes, Fábio Garcia, Leandro Andrade, Jorge Jatobá, Taís Kelly e Angélica Moraes.
Direção: Roberto Gazola
assista ao filme na plataforma da UnivFilms:https://theunivfilms.com
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