Prazer imenso ao rever, muitos anos depois, este clássico absoluto do autêntico cinema provocativo e que não pedia desculpas por existir e, muito menos, por dizer aquilo que precisava ser dito.
Pasmem, meus caros, mas, um dia, inacreditavelmente, o Cinema já foi assim… Basicamente, “A Comilança” retrata um grupo de amigos de longa data que, certo dia, simplesmente, decidem se reunir para, tanto no sentido literal, quanto no figurado (e não necessariamente nessa ordem), comer até morrer. Obs: Tô nessa vibe, aliás. Bora fazer o mesmo, cambada de bunda-moles, hipócritas, aos quais já chamei de “amigos?” Quanto ao filme propriamente dito, aborda um universo, bastante típico da filmografia de Luís Bunuel (1900-1983), porém, na forma como Marco Ferreri retrata esse universo burguês, não há qualquer tipo de concessão ao onírico/surreal e, muito menos, ao velho conceito de “bom gosto”. E, por isso mesmo, flatulências à parte, este filme é tão único e maravilhoso.
Afinal, como poderia dar errado, essa combinação de um ótimo e corajoso tema, com um excepcional elenco: Michel Piccoli (1925-2020), Marcello Mastroianni (1924-1996), Ugo Tognazzi (1922-1990) e Philippe Noiret (1930-2006), Andréa Ferreol, Solange Blondeau, Michèle Alexandre, Monique Chaumette, Henri Piccoli, Florence Giorgetti, Mario Vulpiani.
Obs 2: Num primeiro momento, se poderia dizer que o filme em questão, aborda o vazio existencial da vida burguesa; porém, um olhar mais atento e de quem já adquiriu um mínimo de experiência de vida, logo perceba que, na verdade, o que se vê aqui, é o vazio existencial da vida de absolutamente qualquer ser humano.
Obs 3: Atenção, se você pertence à “Geração Z”, mantenha-se, no mínimo, a 300 metros de distância deste filme, pois o mais breve contato ou exposição em relação a seu conteúdo, pode, sem dúvida, causar danos irreversíveis à sua sensibilidade neo-puritana. Bom, eu avisei…
![]()

