Análise do filme Ondas do destino (1996)

Cinema Critica de Filmes

Direção: Lars Von Trier

Com Emily Watson, Stellan Skarsgard, Sandra Voe, Katrin Cartlidge, Udo Kier, Jean- Marc Barr entre outros

O primeiro filme da Trilogia do Coração de Ouro e um dos primeiros do Dogma 95, movimento fundado pelo diretor desta obra, juntamente com Thomas Vitenberg.

– O movimento Dogma 95 tinha 10 mandamentos, ou ” voto de castidade “, dentre eles a proibição de música não diegética, a obrigatoriedade do tempo linear na narrativa, o uso prioritário de luz natural e a câmera na mão. – A Trilogia do Coração de Ouro versa sobre pessoas bondosas e abnegadas, que pelo mesmo motivo são destroçadas. Os outros dois são ” Os Idiotas ” e ” Dançando no escuro “

Uma crítica ao patriarcado e à religião institucionalizada que paradoxalmente tem um cunho e fechamento profundamente espiritual. A interpretação de Emily Watson beira o sublime e o etéreo para dar vida à protagonista Bess McNeill, jovem escocesa profundamente religiosa além de solitária, em uma cidade litorânea e calvinista.

O fato da obra ser dividida em seis capítulos e um epílogo remete a uma adaptação literária, o que não o é, mas torna tudo mais coeso nesse melodrama. Bess não é totalmente só, ela tem em Deus seu melhor amigo, conversa com o mesmo, mudando o tom de sua voz para mais grave quando Ele fala. Não poderia ser diferente, já que o Deus no qual aprendeu a crer é antropomorfisado , um deus cruel e vingativo, que dá e tira conforme seu sadismo.

Na igreja da aldeia as mulheres não podem falar uma palavra e os anciãos têm o direito de condenar os fiéis ao inferno no enterro. Bess pede a Deus um amor, e esse amor chega na forma de um homem chamado Jan ( Stellan Skarsgard). A felicidade é Jan, a vida de casada com Jan, seu porto seguro, seu presente divino. Sua cunhada viúva e sua mãe já se acostumaram com a chuva, o frio e a mesmice daquela vida besta, mas a dela se iluminou como um arco íris, uma das marcações de início de determinado capítulo. Porém o deus vingativo faz com que a alegria dure pouco, Jan sofre um acidente na plataforma petrolífera aonde trabalha que o deixa tetraplégico.

A moça não estranha e até entende, já que havia suplicado ao deus que acreditava que seu marido voltasse para casa de qualquer forma. O suplício dela se entrelaça ao dele que em seus delírios, com várias quase mortes e cirurgias no cérebro pede, em um determinado momento que a mesma durma com outros homens e lhe narre as experiências. E sem pensar, achando que tem poderes sobre a vida e saúde do marido o faz, se prostituindo e correndo risco com homens violentos.

Não sem ser julgada, escorraçada e até apedrejada, tal como a mulher adúltera salva por Jesus da morte. O epílogo chamado ” O Sacrifício de Bess ” ao som de ” Life on Mars “, traz a surpresa da cura milagrosa de Jan após uma doação extrema de sua mulher. Como a doação da mãe cega pelo filho em ” Dançando no escuro “.-” Deus, aonde você está? pergunta feita no meio do filme é respondida no final. Deus está na bondade, no amor e tal como Jesus se entregou por amor à Humanidade também por amor a moça se entregou ,amor a seu homem, e isso a redimiu, a beatificou..

Loading

Compartilhe nosso artigo

2 thoughts on “Análise do filme Ondas do destino (1996)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *