
Direção: Karim Ainouz O livro ” O destino bate à sua porta ” de James M. Cain teve várias adaptações para o cinema, e essa versão tropical tem muitos pontos interessantes. O cearense Karim Ainouz fez um neo noir ambientado em cenários praianos, com forte carga de suspense erótico. O triângulo formado por Elias ( Fábio Assunção em uma das melhores interpretações da sua carreira), Dayana ( Nataly Rocha) e Heraldo ( Iago Xavier) acrescenta à trama uma crítica social. A mulher viu no casamento uma forma de sair da pobreza, na verdade o passado do seu marido, tirando o fato de ser do Sudeste, também é obscuro. O rapaz de 21 anos foge, ou tenta fugir, do seu destino de pobre, preto e órfão. Tudo dá errado ao tentar um roubo e perde, logo no início, o único familiar que tinha: seu irmão mais velho. Retornar para o motel aonde havia passado a noite anterior com uma mulher é a única opção que lhe vem à cabeça. O estabelecimento é brega , colorido e sujo, aqui a fotografia de Hélène Louvart tem o mérito de criar um clima ao mesmo tempo psicodélico e de terror, sonho e realidade, mortos que reaparecem em cores vivas e granuladas. A obra foi filmada em 16 mm, o que remete aos anos 80. A sensação de claustrofobia é forte, corpos em atos sexuais junto com o som constante de gritos e gemidos de prazer, fazem o sexo parecer uma prisão da qual não se pode fugir. Já a ponta mais nova do triângulo Heraldo, não pode mesmo sair, já que está jurado de morte. Assunção dá um tom violento e bestial a Elias, bebe muito, brinca com armas e gosta de assistir seus clientes na intimidade por janelas secretas no corredor, além de mostrar os brinquedos eróticos disponíveis para os mesmos. Seu humor pode mudar de um instante para o outro, especialmente por ciúmes da esposa. Ele próprio não aparece em nenhuma cena de sexo, provavelmente por impotência total ou parcial, o que explica seu voyerismo..Tudo isso se torna uma bomba relógio com as crescentes desconfianças da traição. No violento desfecho todos ficam nús, por dentro e por fora.
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Parabéns pela análise, assisti a versão americana de O Destino Bate à sua Porta dos anos 80, a versão brasileira ainda não vi, mas gostei do seu artigo me despertou para ver o filme
Obrigada, veja sim
Gostei da análise, Natasha. Você explorou város aspectos da obra e está de parabéns!
Obrigada Bia
Obrigada, veja sim