Como um apaixonado por cinema e música erudita, é muito fácil pra mim ficar fascinado pela entrega absoluta de Cate Blanchett em cena como a maestrina Lydia Tár. Mas, ainda mais fácil foi ficar totalmente imerso na narrativa que se assemelha e muito aos conhecidos movimentos da música clássica/erudita.
Sendo assim, as mais de duas horas e meia passaram voando, a primeira hora parece um adagio, lenta e sem pressa, aos poucos vai se tornando mais allegro, conforme as personagens vão sendo melhor apresentadas e temos conhecimento de seus conflitos, a culpa e toda a paranoia que sucede após um um trágico evento. A segunda metade se torna allegro ma non troppo, a trama vai tomando caminhos mais intensos, mas o ritmo segue ainda moderado criando uma densidade muito bem-vinda e crescente ficando algo entre presto e prestissimo, conforme Tár vai se envolvendo numa espiral de polêmicas dentro e fora do púlpito.
Até que a obra termina em um larghetto e novamente se aproximando de um adagio.
Tár é um grande filme cujo maior trunfo é sim, a interpretação magnífica de Cate Blanchett, a cada cena em que sua personagem está regendo a orquestra só conseguia ver uma apresentação ou um ensaio real em algum teatro, tal como eu adorava assistir os Concertos Internacionais toda segunda nas madrugadas da Globo. Sua atuação é simplesmente irretocável, claramente uma entrega corporal absoluta, suas feições aliadas aos gestos ao erguer a batuta demonstram a total paixão de Tár por aquilo que faz, em outras sequências vemos a insegurança, o sentimento de culpa corroendo-a sem querer admitir, duas facetas totalmente diferentes da perfeccionista e arrogante maestrina que domina o local onde pisa durante os ensaios.
O roteiro aproveita também para alfinetar a nova geração das redes sociais, tratando de temas extremamente comuns nos dias de hoje como edições de vídeo para manipular situações e claro, o cancelamento de celebridades por conta de polêmicas pessoais. Todd Field dirige mas Cate Blanchett rege esse “concerto” como uma verdadeira maestrina. Filme espetacular.
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Parabéns pela matéria.
Muito bom, parabéns!!