
Direção:Pedro Almodóvar, com Leonardo Sbaraglia, Bárbara Lennie, Aytana Sanchés- Gijón, Patrick Criado, Milena Smit, Vicky Luengo, Quim Gutierrez e Maria Rojo
Pedro Almodóvar está com 76 anos e já fez de tudo, principalmente evoluir artisticamente em sua carreira de mais de 46 anos.
Foi dos filmes aonde ironizava abertamente as instituições, feitos na ” movida madrilhenha ” , até seu primeiro Oscar por ” Tudo sobre minha mãe “.Um caminho de amadurecimento, o qual continuou trilhando.
O último filme mantém o clima introspectivo de obras como ” Dor e Glória “, assim como as cores famosas de suas películas.
Um artista com tantos trabalhos sabe que no processo criativo tudo é referência para tudo. Por outro lado, como já experimentou de tudo sabe também que a crise criativa é inevitável.
Em sua última obra em um roteiro dentro de outro uma personagem chamada Elsa é uma publicitária vivendo em 2004. Já tendo realizado dois filmes pensa em começar um terceiro.
Ela vive na estória de Raúl, diretor que em plena crise criativa e de meia idade escreve ” Natal Amargo “, na época atual.
A forma como as narrativas se entrelaçam não impede o espectador de perceber que Raúl é um alter ego de Almodóvar, assim como Elsa é de Raúl.
Além disso outra questão abordada é o luto: da criatividade, de uma mãe ou de um filho.
Os outros personagens da obra do diretor em crise são obviamente inspirados em pessoas de sua vida.
Isso acontece como citado acima, mas até que ponto podemos copiar uma estória real, ainda mais envolvendo dor profunda para sermos vistos novamente?
Mónica, secretária do mesmo,vive a revolta de ver a sua relação amorosa ser posta em risco quando Raúl usa a perda do filho de sua namorada em sua obra aonde a personagem Elsa socorre uma amiga que tenta tirar a vida depois de também perder um filho.
A mensagem é clara: o mestre espanhol fala de si mesmo, seu envelhecimento, sua crise criativa..E esse filme não é dos melhores, ainda que prenda a atenção.
O espanhol disse que seria impiedoso consigo mesmo e realmente foi.
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Uma análise lúcida e profunda deste filme que ainda não vi e que, provavelmente, não vou assistir. Parabéns, Natasha!