Direção: Pablo LarraínCom Alfredo Castro, Amparo Noguera, Héctor Morales, Paola Lattus
Esse filme causa todo tipo de sensação: nojo, estranheza, uma vontade enorme de rir; tudo, menos tédio. É uma obra que provoca reações intensas e dificilmente deixa o espectador indiferente.
O longa de Pablo Larraín acompanha Raúl Peralta, um homem obcecado pelo personagem de John Travolta em Os Embalos de Sábado à Noite. Sua obsessão é psicótica, e ele faz todo tipo de atrocidade para vencer um concurso de sósias de Tony Manero.
A estranheza se apresenta em diversas situações: o fato de um homem de meia-idade, impotente — conforme o próprio filme deixa claro — seduzir todas as mulheres que moram na mesma pensão. Avó, mãe e filha acabam disputando o mesmo homem, em uma dinâmica marcada pelo absurdo.O próprio local onde a narrativa acontece é peculiar: a banheira fica praticamente ao lado da mesa de refeições. É nesse espaço que vivem essas pessoas, além de um menino de 8 anos e um rapaz, sem que nunca fique totalmente claro quem é quem.
A naturalidade com que uma idosa assiste a um assassinato brutal reforça o clima de loucura e estranhamento da obra.O cenário, o Chile do final dos anos 70, sob a ditadura de Pinochet, está presente, mas para Raúl parece não importar. Ele repete as falas do filme sem falar inglês corretamente e dança imitando seu ídolo de maneira desajeitada, criando uma atmosfera extremamente kitsch.A cena mais escatológica do filme mistura desconforto e humor. Nada é completamente explicado; cada espectador pode interpretar à sua maneira. As cenas das sirenes e do estado de sítio parecem secundárias diante da insanidade, do mau gosto, do absurdo e da inverossimilhança que dominam a narrativa.A alienação de Raúl aparece como uma fuga daquela realidade política, criando uma relação com elementos do realismo mágico tão típico da América Latina.
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Parabéns pela análise, não assisti o filme ainda mas gostei do seu artigo
Obrigada Ricardo.
Excelente crític! Parabéns!
Obrigada Bia.