O etarismo é um termo que surgiu em 1969 cunhado pelo médico e geriatra americano Robert Butler. É uma espécie de racismo contra pessoas mais velhas pois julga e exclui a pessoa baseado em uma característica que a pessoa não escolheu.
É um problema que afeta as mulheres a partir de uma certa idade em vários setores e, especialmente, na indústria do entretenimento e na publicidade. Observa-se então a diminuição de papéis com protagonismo e romance após os 45 anos e as mulheres comumente ficam relegadas a papéis secundários.
Nesse texto, vamos analisar três filmes protagonizados por mulheres maduras em contextos diferentes com problemas relacionados, eventualmente, com a idade.
Boa Sorte, Leo Grande (2022), dirigido pela australiana Sophie Hyde. Aqui temos Emma Thompson em grande forma numa dramédia (mistura de drama com comédia), ao lado de Daryl McCormack. Professora aposentada e viúva frustrada com a vida sexual que teve ao lado do marido, Nancy contrata o profissional do sexo Leo esperando vivenciar sensações diferentes e, ao menos, uma noite de prazer. Emma entrega um personagem cheio de humor, ironia e preconceitos até se permitir vivenciar o que estava procurando. Destaque para a corajosa cena final de Emma Thompson. O filme recebeu quatro indicações ao BAFTA e uma indicação ao Globo de Ouro para Emma Thompson, na categoria Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical. Disponível na Netflix e na Prime Vídeo.
Pacarrete (2019), longa de estréia do diretor cearense Allan Deberton. Marcélia Cartaxo dá um verdadeiro show como Maria Araújo Lima, conhecida como Pacarrete. Trata-se da história real da bailarina e professora que viveu em Russas, interior do Ceará. Excêntrica e extrovertida, com lances de mau humor e insensatez. Pacarrete enfrenta a prefeitura da cidade disposta a mostrar sua arte numa grande festa local e é apaixonada por Miguel (personagem de João Miguel), dono de um armazém. Pacarrete recebeu os prêmios Grande Otelo de Melhor Roteiro Original, Melhor Ator Coadjuvante para João Miguel, Melhor atriz para Marcélia Cartaxo e Melhor Longa Metragem de Comédia. Disponível na Netflix.
Tia Virgínia (2023), dirigido por Fábio Meira. Interpretação incrível de Vera Holz como Tia Virgínia, uma das três irmãs de uma família problemática e tóxica. As outras irmãs são vividas com igual brilho por Arlete Salles e Louise Cardoso. A matriarca da família é a saudosa Vera Valdez, numa atuação fenomenal como a mãe idosa, acamada e demenciada. Tia Virgínia é a irmã que não se casou e que cuida da mãe – fato curiosamente comum nas famílias brasileiras. Ela, no entanto, é agredida e subestimada pelas outras irmãs. Com doses de entusiasmo, tristeza, raiva e muita ousadia, Tia Virgínia luta para sair dessa situação e dar a volta por cima. Vera Holz recebeu o Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro de Melhor Atriz de Longa Metragem por esse papel. E Arlete Salles recebeu o mesmo prêmio na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante de Longa Metragem. Disponível na Globoplay.
Os três filmes são verdadeiras pérolas e merecem ser assistidos como um certo alívio dentro do tema do etarismo. Um detalhe importante a ser observado é que as três personagens conseguem bstalhar pelos seus sonhos e, eventualmente, serem bem sucedidas por possuirem condições financeiras para suas empreitadas. Fato bastante incomum na sociedade brasileira.
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