Direção: Olivia Newman
Roteiro Olivia Newman, John Whittington (V)
Elenco: Sally Field, Lewis Pullman, Colm Meaney
Título original Remarkably Bright Creatures
Duração: 1h 51
Drama
Para quem gosta de uma boa leitura e se encanta ao ver os personagens ganhando vida além das páginas, Criaturas Extraordinariamente Brilhantes é um verdadeiro presente. Inspirado no best-seller homônimo de Shelby Van Pelt, o longa transporta para as telas toda a sensibilidade da obra, preservando sua essência e entregando uma emocionante jornada sobre perda, esperança, reencontros e a capacidade humana de recomeçar.
Há filmes que não revelam imediatamente a sua força. Eles começam de forma discreta, quase tímida, e nos fazem questionar se realmente fizemos uma boa escolha ao apertar o play. Criaturas Extraordinariamente Brilhantes é exatamente um desses filmes. A princípio, a narrativa parece simples e até lúdica, mas, cena após cena, vai ganhando profundidade, conquistando o espectador com delicadeza e sensibilidade. Quando percebemos, já estamos completamente envolvidos pelos conflitos dos personagens, torcendo para que cada um deles encontre o caminho para a cura, para o perdão e para a esperança.
A história acompanha Tova, uma viúva idosa que trabalha em um aquário local e cria um vínculo improvável com Marcellus, um polvo extremamente inteligente. Paralelamente, conhecemos um jovem perdido em sua própria trajetória, em busca de respostas sobre sua identidade e sobre o pai que nunca conheceu. Aos poucos, essas vidas marcadas pela ausência, pela solidão e pelo luto começam a se entrelaçar de maneira sensível e surpreendente.
Visualmente, o filme é envolvente. Os tons de azul, ciano, laranja e vermelho criam uma atmosfera nostálgica, quase antiga, que reforça a sensação de memória, perda e esperança. A fotografia nos introduz em um universo silencioso, onde cada olhar, cada gesto e cada frase carregam um significado especial.
O grande encanto da obra está em sua capacidade de transformar uma narrativa simples em uma experiência emocional. Existe um ponto de virada que nos tira da posição de espectadores críticos e nos leva diretamente para dentro da história. O choro que surge não é apenas de tristeza, mas de alívio, compaixão e reconhecimento.
Marcellus, o polvo, é muito mais do que um elemento curioso da narrativa. Ele se torna uma espécie de protagonista, conduzindo a história com inteligência, sensibilidade e poesia. Também ele vive seu próprio conflito: confinado em um tanque, observado constantemente por olhares curiosos, enquanto deseja algo que todos os personagens, de alguma forma, também procuram, a liberdade.
E talvez seja justamente essa a grande mensagem do filme. Tova, o jovem e Marcellus buscam não apenas uma liberdade física, mas uma liberdade da alma. A liberdade de ressignificar a dor, de encontrar respostas, de reconstruir a vida e de compreender que alguns encontros não acontecem por acaso.
Criaturas Extraordinariamente Brilhantes é um filme leve, emocionante e profundamente humano. Uma história sobre perda, reencontro, esperança e sobre como, às vezes, algo extraordinário pode surgir justamente nos lugares mais improváveis.
Vale a pena assistir com atenção, refletindo sobre cada frase dita, cada silêncio e cada pequeno gesto.
“Os seres humanos, na maior parte do tempo, são desajeitados e confusos. Mas, ocasionalmente, podem ser criaturas extraordinariamente brilhantes.”
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