Complexo residencial em Hong Kong chegou a abrigar 50 mil pessoas
*Matéria publicada originalmente em Junho de 2025
Existiu até o final do século 20, um local na Ásia cujo as pessoas praticamente se amontoavam para sobreviver, em uma espécie de favela vertical. Kowloon, era conhecida como a “cidade murada”.
Localizada em Hong Kong, em uma área controlada pelos britânicos devido à exigência de um antigo tratado colonial, o gigante complexo residencial se tornou um dos lugares mais densos do globo, equivalendo a 27 mil metros quadrados.
O nascimento
Sua origem é do tempo de uma das dinastias chinesas: neste caso, a de nome Song que vigorou entre o ano 960 até 1279, quando foi criado um posto militar para gestão do comércio de sal. Séculos depois o controle passou a ser da Dinastia Qing, a partir do ano de 1644 ao 1912, posto pelo Tratado de Nankin, com supervisão da Grã-Bretanha, onde em seu início abrigava em torno de 700 ocupantes.
Na época, a China tentou obter um maior controle sob o local e cogitou utilizar a região como uma espécie de ponto de controle porém, desistindo em seguida e deixando a região praticamente abandonada, devido a política dos colonos de não intervenção.
Refúgio dos imigrantes
Logo após o início do século 20 e junto a Segunda Guerra Mundial, Kowloon se tornou residência de imigrantes e também de grupos ilegais que buscavam refúgio em meio a ocupação japonesa de Hong Kong, tendo início em 25 de dezembro de 1941. Depois da rendição do Japão o crescimento da cidade continuou e já sem muralhas, mas de forma vertical.

Foto: vista aérea de Kowloon em meados dos anos 90 antes da implosão
Durante o período de guerra contabilizava-se um número de 17 mil habitantes chegando ao seu ápice de 50 mil no final dos anos 80, ostentando o “título” de lugar com a maior densidade do mundo, contendo edifícios que chegavam a ter 14 andares distribuídos em cerca de incríveis 300 empreendimentos, quase que empilhados sob os outros. Era comum a presença de cassinos e prostíbulos controlados por diferentes gangues que tinham domínio do local.
Inspetores de saúde, cobradores de impostos e até mesmo forças de segurança não adentravam no complexo, por conta da forte resistência e domínio de mafiosos que pertenciam a diversos clãs.
Cidade das trevas
Como esperado, a estrutura era precária, incluindo a falta de saneamento básico e fornecimento de energia elétrica. Mesmo assim, os moradores eram muito próximos um dos outros, e criaram grande repúdio aos europeus colonizadores, inclusive ao governo central de Hong Kong onde na verdade este era submetido aos ingleses.
Por causa das condições precárias onde o amontoado de pessoas também agravava as condições de vida, um segundo nome era dado ao complexo: “Cidade das Trevas”.

Foto: acessos para residências e comércios eram somente por escadarias
A derrubada
O “fim” como ficou conhecido a favela vertical ocorreu no ano de 1987 e de forma antecipada, já que antes o acordo de gestão valeria até 1997 para a devolução de Hong Kong pelos britânicos a China, e assim foi decidido a demolição da famosa cidade murada.
Com o início da implosão ocorrido em 1993, atualmente a área é um parque público com memorial mas mantendo uma parte original preservada, no intuito de guardar a memória histórica do que foi um dia o lugar mais denso do planeta.
Mais detalhes
O canal Baka Gaijin no Youtube fez uma visita ao local. Você pode acompanhar as imagens no vídeo intitulado como “Por dentro da favela vertical de Hong Kong na China”.
Link: POR DENTRO DA “FAVELA VERTICAL” DE HONG KONG NA CHINA – YouTube
![]()

