“O que faz da Elle Woods a Elle Woods?” Essa é a pergunta que move Elle, nova série do Prime Video, e a resposta é muito mais interessante do que eu imaginava.
Confesso que comecei a assistir esperando uma produção leve e nostálgica, mas terminei os oito episódios completamente envolvida. É aquele tipo de série confortável, que você coloca para ver e, quando percebe, já terminou a temporada inteira.
O maior acerto da produção é Lexi Minetree. Mesmo sendo praticamente uma estreante, ela não tenta imitar Reese Witherspoon. Pelo contrário: constrói sua própria versão da personagem, preservando o carisma, a doçura e o otimismo que fizeram de Elle Woods um ícone. É uma atuação extremamente cativante.
Com Reese Witherspoon na produção executiva, a série funciona como uma história de origem. Em vez de revisitar Harvard, ela nos leva para antes da faculdade, acompanhando uma Elle que ainda está tentando entender quem é e qual é o seu lugar no mundo.
Outro destaque é June Diane Raphael, como Eva Woods. A relação entre mãe e filha está longe de ser idealizada. Eva é uma mulher bastante preocupada com status e aparências, e esse contraste evidencia que, embora Elle tenha crescido em um ambiente de privilégios, seus valores caminham em outra direção.
A série também acerta na construção do contraste entre seus dois mundos. De um lado, uma Los Angeles vibrante, ensolarada, rosa e cheia de cores, que combina perfeitamente com a personalidade da protagonista. Do outro, uma Seattle fria, cinzenta e melancólica, onde Elle encontra pessoas com vivências completamente diferentes das suas. É justamente nesse choque de realidades que a personagem começa a amadurecer.
Sem entrar em spoilers, o roteiro mostra uma protagonista que deseja ser aceita, mas que também sente uma necessidade genuína de ajudar quem está ao seu redor. Aos poucos, percebemos que a empatia e o senso de justiça que definirão a futura advogada já estavam presentes muito antes de Harvard.
Também vale destacar Gabrielle Policano, que traz muito carisma para Liz, e Chandler Kinney, que entrega uma Kimberly cheia de nuances ao longo da temporada.
E existe um elemento que merece aplausos: a trilha sonora. Com clássicos dos anos 90, incluindo Nirvana, Garbage, No Doubt, Radiohead, Mariah Carey e Sleater-Kinney, a música não serve apenas como pano de fundo — ela reforça a identidade da série e o conflito interno da protagonista.
Elle talvez não queira reinventar o universo de Legalmente Loira. Seu objetivo é explicar como aquela jovem aparentemente superficial se tornou uma mulher determinada, inteligente e capaz de desafiar todos os estereótipos. E faz isso com sensibilidade, humor e muito coração.
A boa notícia é que a segunda temporada já foi confirmada e está em produção. Depois desse final, a espera promete ser difícil.
⭐ Veredito: uma das adaptações mais agradáveis do ano. Uma história de amadurecimento que entende a essência de Elle Woods e prova que gentileza, empatia e inteligência sempre foram sua maior força.
No elenco também estão James Van Der Beek, Tom Everett Scott, Zac Looker, Amy Pietz, Logan Shroyer, Lisa Yamada, Chloe Wepper, David Burtka, Brad Harder, Matt Oberg, Sharon Taylor,
![]()

