Pablo Neruda (1904–1973) foi um dos poetas mais influentes do século XX, diplomata e político chileno, agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1971. Conhecido por sua poesia avassaladora que transitou entre o amor romântico, o surrealismo e o engajamento político, ele foi chamado pelo romancista Gabriel García Márquez de “o maior poeta do século XX em qualquer idioma”.
Pablo Neruda começou a escrever seus primeiros poemas ainda na infância, por volta de 1914, quando tinha apenas 10 anos.
Em 1917 aos 13 anos publicou seu primeiro texto oficial, o artigo intitulado “Entusiasmo e perseverança” no jornal regional La Mañana, em Temuco. Em 1918 aos 14 anos: Teve seu primeiro poema, “Mis ojos”, impresso na renomada revista portenha Corre-Vuela. E em 1919 aos 15 anos conquistou o terceiro lugar nos Jogos Florais de Maule com a poesia “Noturno Ideal”.
Seu nome de batismo era Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto. Em 1920, para evitar conflitos com seu pai, que desaprovava firmemente a carreira literária, o jovem começou a assinar suas obras como Pablo Neruda. A escolha foi uma homenagem ao poeta tcheco Jan Neruda.
Seus primeiros Livros (1923 – 1924)
Crepusculário (1923): Lançado quando ele tinha 19 anos, reuniu poemas escritos no final da adolescência. Para conseguir publicá-lo, Neruda precisou penhorar seus poucos bens e móveis. Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada (1924): Publicado no ano seguinte, consagrou o jovem escritor nacional e internacionalmente.
Suas principais obras literárias foram:
Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada (1924), Residência na Terra (1933–1935), Canto General (1950) e Cem Sonetos de Amor (1959).
O estilo literário de Pablo Neruda mudou radicalmente ao longo de sua vida. Ele era um camaleão da escrita, dividindo sua obra em quatro grandes fases estilísticas bem marcadas:
Modernismo e Romantismo Intenso (1923–1925): Neruda escreve sobre o amor jovem, a melancolia e a perda. Ele usava palavras que denotavam melancolia e suas metáforas tinham uma ligação constante com a natureza (mar, estrelas, crepúsculo). E a principal obra dessa primeira fase é a sua obra mais famosa: Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada (1924)
2a fase: Surrealismo e Hermetismo (1925–1935). Inspirado por sua solidão como diplomata na Ásia, Neruda adota uma linguagem caótica, sombria e difícil (hermética). Nessa fase ele usa imagens de destruição, decomposição, isolamento urbano e angústia existencial. Em sua técnica há um rompimento com a sintaxe tradicional, influenciado pelo surrealismo europeu. E a principal obra nessa segunda fase é Residência na Terra.
3a fase: Poesia Épica e Engajada (1936–1956). Fase marcada pela Guerra Civil Espanhola e o assassinato de seu amigo Federico García Lorca transformam Neruda em um poeta político e social. Aqui sua linguagem é direta, panfletária, épica e acessível ao trabalhador comum. Temas da 3a fase são: Luta de classes, a história dos povos oprimidos da América Latina e denúncia das injustiças. E a principal obra nessa fase é Canto General.
4a fase: Simplicidade Cotidiana e Amor Maduro (1956–1973). Em sua última fase, Neruda redescobre a beleza nas coisas mais simples do dia a dia e celebra o amor maduro e calmo. Aqui ele usa Odes Elementares: Poemas dedicados a objetos comuns, como uma cebola, a alcachofra ou um par de meias de lã. Sonetos de Amor: Retorno à poesia romântica, mas agora focada na estabilidade e na devoção à sua esposa Matilde Urrutia. E a sua principal obra nessa 4a fase é: Cem Sonetos de Amor.
Carreira Consular: Serviu como cônsul na Birmânia, Ceilão, Java, Espanha e França. Militância Comunista: Elegeu-se senador no Chile e exilou-se na Europa devido à perseguição política.
Os últimos dias e a morte de Pablo Neruda compõem um dos capítulos mais dramáticos e nebulosos da história da América Latina. Ele faleceu em 23 de setembro de 1973, apenas 12 dias após o violento golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet que derrubou o presidente socialista Salvador Allende, amigo pessoal de Neruda.
Pablo Neruda foi retratado no filme: O carteiro e o poeta (1994) dirigido por Massimo Troisi e Michael Radford. Ótimo filme por sinal. Quem não assistiu, eu super recomendo.
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