Pix, a que serve?

Economia Politicas e Sociais

O pix é um meio de pagamento, mas vai além disto! 

Os cartões de crédito tem embutidos em si, como o nome diz, crédito, portanto cumprem outro papel, o de fornecer crédito às pessoas. Usou, não pagou, na data do vencimento incide custo financeiro escorchante, muitas vezes mais caro que dinheiro emprestado por agiotas. A taxa mensal cobrada de quem não quita a dívida na data de vencimento do cartão é mais do o dobro da inflação do ano todo no país. 

Estimular o uso do pix serve para desestimular o endividamento, pois transfere dinheiro do que está na conta corrente. Se tem limite no cheque especial e o usa, hoje muito caro, mas limitado a 8% ao mês, por paradoxal que seja, é bem mais barato que o custo dos cartões de crédito. Até nisto o pix ajuda, pois é melhor pagar com ele usando o limite do cheque especial, que pagar usando cartão de crédito. 

Isto é parte da “indústria do rentismo”. No capitalismo tudo vira mercadoria, negócio, ou “business”, como gostam os anglicistas: o dinheiro, meio de pagamento, passa a ser um negócio em si, se tornando instrumento de crédito mediante pagamento de taxa de juros, a contrapartida do empréstimo.

O cartão de crédito (cartão de plástico e/ ou virtual) é parte deste sistema de crédito. É bom para quem precisa antecipar um gasto futuro. A questão é o custo desta transação. Cerca de 60% das famílias brasileiras estão com seus nomes nos órgãos de “proteção” ao crédito: SPC/SERASA, Boa Vista e outros, entre outras razões, por inadimplemento com cartões de crédito. O rentismo é tão poderoso que criou um outro negócio afim: a proteção aos que emprestam dos que devem.

Com o risco de assalto e furto a quem usava, mas ainda usa, dinheiro “vivo”, em papel, os cartões de plástico e virtuais se impõem como “modernidade” e contribuem para diminuir este problema. Milhões de pessoas, contudo, continuam sem ser “bancarizadas”, ou seja, não tem conta bancária. O pix veio facilitar, simplificar e baratear os pagamentos de todos e, particularmente, dos mais pobres, os menos “bancarizados”, aumentando o desuso do papel moeda. 

O cartão de crédito é um facilitador do consumo? Sim. Mas também do consumo “por impulso”, do gasto supérfluo, do pagamento de apostas como as “bets” e do descontrole orçamentário individual e familiar. Nesta linha, ter o pix como meio de pagamento é uma forma de baratear custo de transação, estimular o pagamento com recurso disponível e desestimular a tomada de crédito inadequado. 

Há interesses gigantescos que estimulam e propiciam o rentismo e todas as suas formas de ganho: cartão de crédito é parte disto. Dá-lhe propaganda o dia inteiro estimulando o consumo e, muitas vezes, atrelado a endividamento. 

Curiosamente o capitalismo faz da concorrência uma virtude, talvez a única que estruturalmente pode gerar ganhos para o conjunto da sociedade, mas quando surge um novo fator de competição “fora da caixa”, “disruptivo”, como o pix, a reação dos que estão na “zona de conforto” é de questionamento. 

As empresas que tem bandeiras de cartão certamente fizeram lobby no governo americano para que este impusesse ao Brasil uma punição tarifária por conta de algo que não é tarifário, o pix. Como impuseram, por razão política, uma punição tarifária ao Brasil justificada pelo comportamento de nosso STF no julgamento de JB, ex presidente. Como dizem os jovens: “nada a ver”. 

A temática da soberania ganhou relevância quando os protofascistas bolsonaristas se articularam com um governo estrangeiro, os EUA, neste momento liderado por um presidente politicamente conservador, passando a se imiscuir na vida do Brasil. Pior, explicitamente instrumentalizando ações econômicas, como a imposição de tarifas, para alcançar objetivos não econômicos. Porque no plano da economia não há justificativa. Os EUA tem um superávit na relação comercial com o Brasil de mais de US$400 bilhões somente nos últimos 15 anos. 

Faz bem Lula, o Itamaraty e setores empresariais brasileiros que defendem um projeto nacional de desenvolvimento autônomo e independente, reagirem. A arrogância do governo americano é rechaçada até por empresas de lá.  

O multilateralismo e a soberania devem prevalecer sobre os impérios de qualquer tipo. 

Vamos adiante, lutando! 

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