207 Anos do Nascimento de Herman Melville.

Datas Literatura Poema ou Poesia

Herman Melville (1819–1891) foi um dos maiores romancistas, contistas, poetas e ensaístas norte-americanos, imortalizado mundialmente pela autoria do clássico da literatura universal, Moby Dick. Apesar de hoje ser celebrado como uma figura central do chamado Renascimento Americano, Melville teve uma carreira comercialmente trágica. Ele faleceu quase completamente esquecido pelo público e pela crítica, sustentando-se nos seus últimos anos como inspetor alfandegário em Nova Iorque. Sua genialidade só foi devidamente resgatada e reconhecida no início do século XX.

Herman Melville começou a escrever profissionalmente em 1844, logo após retornar de suas intensas viagens marítimas pelo Oceano Pacífico. O início de sua carreira literária foi meteórico, impulsionado pelo exotismo de suas memórias reais e por um público ávido por histórias de aventura.

Antes de começar a escrever, Melville viveu uma verdadeira odisseia. Entre 1839 e 1844, ele trabalhou como marinheiro e arpoador em navios baleeiros. Durante essas viagens, ele desertou de uma embarcação nas Ilhas Marquesas, foi capturado por tribos nativas (que tinham fama de canibais), participou de um motim no Taiti e chegou a ser preso.

Ao retornar em Boston em outubro de 1844, seus familiares e amigos ficaram tão impressionados com os seus relatos orais que o encorajaram a colocar as experiências no papel. Ele costumava dizer que o mar havia sido a sua verdadeira faculdade (sua “Yale e sua Harvard”).

Diferente da imagem de autor incompreendido que marcou o fim de sua vida, Melville começou a carreira como um autêntico autor de best-sellers.

Typee (1846): Seu livro de estreia narra sua convivência com os nativos da Polinésia. Misturando fatos reais com ficção romântica, a obra chocou e fascinou a sociedade vitoriana. O livro transformou Melville em uma celebridade literária da noite para o dia.

Omoo (1847): Lançado logo em seguida, o romance continuava suas crônicas de viagem pelos mares do Sul, consolidando sua fama mundial.

Graças ao retorno financeiro e ao prestígio desses dois primeiros livros, Melville conseguiu estabilidade para se casar com Elizabeth Shaw e se estabelecer como escritor profissional em Nova Iorque.

As Principais Obras dele como escritor:

Moby Dick (1851): Obra-prima sobre a obsessão cega do Capitão Ahab contra a grande baleia branca. Bartleby, o Escrivão (1853): Conto genial que antecipou o existencialismo e o absurdo, famoso pelo lema “Prefiro não fazer”. Billy Budd: Romance marítimo dramático publicado apenas depois de sua morte.

Depois do fracasso comercial de seus romances, Melville dedicou as 3 últimas décadas de sua vida quase que exclusivamente à poesia. Mesmo essas poesias não serem tão lida como os seus romances, críticos modernos a consideram de imensa complexidade e valor histórico.

Battle-Pieces and Aspects of the War (1866): Coletânea de poemas que traz uma perspectiva íntima e comovente sobre os horrores da Guerra Civil Americana.

Clarel (1876): Um poema épico massivo de quase 18 mil linhas inspirado em sua viagem à Terra Santa. John Marr and Other Sailors (1888): Versos nostálgicos dedicados aos tempos em que navegava pelos oceanos.

Em agosto de 1850, Melville mudou-se para uma fazenda em Pittsfield, Massachusetts. Pouco depois, durante um piquenique literário nas montanhas locais, ele conheceu Hawthorne, que morava na região. Melville, então com 31 anos, já idolatrava o trabalho de Hawthorne (que tinha 46) e enxergava nele uma profundidade psicológica única, marcada por uma “escuridão mística”. A conexão entre os dois foi imediata e intensa.

Quando conheceu Hawthorne, Melville já estava na metade da escrita de seu próximo livro, que provisoriamente se chamava The Whale (A Baleia). Até então, o manuscrito era um relato documental e realista sobre a caça às baleias, muito parecido com seus livros anteriores.

Hawthorne encorajou Melville a abraçar o lado sombrio da condição humana e a explorar o pecado, a culpa e a obsessão. Inspirado pela genialidade do amigo, Melville decidiu reescrever o livro quase do zero. O que seria apenas uma aventura de marinheiro transformou-se em uma tragédia shakesperiana sobre a loucura e o existencialismo. A figura do obsessivo Capitão Ahab ganhou a complexidade moral e a carga psicológica que hoje tornam o personagem inesquecível.

Melville ficou tão grato pelo impacto de Hawthorne em sua vida que dedicou Moby Dick a ele, escrevendo na página de abertura: “Em sinal de minha admiração por seu gênio, este livro é dedicado a Nathaniel Hawthorne”.

Os últimos anos de Herman Melville foram marcados por profundas tragédias familiares, um isolamento quase absoluto do mundo literário. Ele acabou perdendo dois filhos de forma precoce e isso só aumentou o seu estado de melancolia.

Para sustentar a família, Melville passou 19 anos trabalhando como inspetor de alfândega nas docas de Nova Iorque. Ele levava uma vida monótona, caminhando diariamente entre os navios do porto, cercado pelo mar que outrora tinha inspirado sua literatura. Ele se aposentou do cargo público em 1886, graças a uma pequena herança recebida por sua esposa.

Melville nunca parou de escrever. Em seus últimos meses de vida, trabalhando de forma obsessiva em sua mesa em Nova Iorque, ele escreveu a novela Billy Budd. Ele revisou e reorganizou o texto exaustivamente, mas morreu antes de finalizá-lo.

Sua esposa, Elizabeth, encontrou os manuscritos desordenados e guardou as páginas em uma antiga caixa de pão da família. O texto só foi decifrado, editado e publicado em 1924, sendo hoje considerado uma de suas maiores obras-primas.

Herman Melville faleceu em sua residência em Nova Iorque, pouco depois da meia-noite do dia 28 de setembro de 1891, aos 72 anos. A causa oficial da morte foi uma doença cardiovascular (ataque cardíaco). Ele foi sepultado de maneira discreta no Cemitério de Woodlawn, no Bronx.

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