Análise ” Furnas Fundas – Uma Fábula Gótica” (2026)

Critica de Filmes Terror

Crítica ” Furnas Funda – Uma fábula gótica”

E se misturássemos ” Roque Santeiro ” com  ” Drácula” ?

No filme independente” Furnas Fundas” , que chega aos cinemas dia 17 de setembro, temos a fictícia cidade que dá título à obra sendo alvo de uma insana disputa eleitoral que vai ficar ainda pior quando vampiros passam a interferir nela.

Misturando comédia de costumes com o clima casos de assombração do interior do país, incluindo referências ao chupa cabra, o filme constrói o cenário de uma cidade em franca decadência, em parte pelo prefeito que se reelegeu infinitamente, não tendo nenhum limite moral para isso, em parte pela presunção própria população que mergulha progressivamente no álcool.

Uma cidade onde temos poucas pessoas lúcidas, como Bartira ( Gabriela Dias), a preparadora de cadáveres, buscando ajudar a cidade e seu tio como membro de seu partido , o PQP, oposição ao prefeito.

Seu namorado, e parece que único médico da cidade, é Luan  ( Johnnas Oliva) parece só querer fazer o mínimo de seu trabalho para sobreviver, havendo uma disputa interna entre seu amor por Bartira e o medo de assombração.

A surgimento do vampirólogo  deixa tudo mais caótico, revelando uma história oculta da cidade, oculta mais por negligência do governo e do povo do que por qualquer conspiração, que revela não apenas a presença dos vampiros como um plano muito maior arquitetado pelos sugadores de sangue

O casal de vampiros Lilith (Elisa Volpato ) e Crisabel (Eriberto Leão ) são um show à parte. Os atores revelaram ter estudado diversos filmes de vampiros de múltiplos estilos para compor seus personagens, o qual cada um tem seus interesses próprios e conflitantes.

Uma mistura de frases políticas clássicas propositalmente recontextualizadas com objetivo de sátiras se mescla a referências a múltiplas histórias de vampiros para compor o clima de sátira com toques de terror.

Seja como sinônimo de epidemia sem controle, de intervenção estrangeira colonialista ou da própria ganância descontrolada que leva a parasitar os outros, os vampiros elevam a complexidade da trama e catalisam a transformação de vários personagens.

O ápice técnico são as cenas monocromáticos que surgem para indicar a atuação direta do sobrenatural, criadas com base na estética dos filmes expressionistas, especialmente no clássico ” Nosferatu”

O final é bem fechado porém o clima mais amargo e mesmo de gore pode não ser bem recebido por quem prefere comédias brasileiras mais tradicionais, além de humor ser algo que varia muito para cada gosto, mas é perfeito para fãs de histórias góticas e comédias de terror  ( como eu) .

O elenco também conta com Natália Lage, Wilson Rabelo, Otávio Müller, Lourenço Mutarelli, Leticia Lima, Ângelo Gastal, Guilherme Rodio, Felipe Rocha.

Luiz Cecanecchia do canal Monstros e Aventuras

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