Motivações alegadas apontam incentivo a comportamento tóxico
Imagine uma série ou novela em que o enredo passa a ser alguém de sucesso de uma forma não muito republicana. É disto que se trata um “microdorama” chinês, cujo personagem principal é um CEO bilionário, envolvendo um casamento falso e vingança de uma herdeira.
Recentemente, o governo chinês impôs restrições a veiculação destas produções que tem como personagem principal os CEO’s do mundo corporativo devido ao seu conteúdo que leva a um comportamento nocivo, especialmente entre os jovens que ainda estão em sua formação intelectual.
Um microdorama consiste em séries no estilo “shorts” do Youtube, com imagem vertical para assistir no celular e no máximo com 2 minutos de duração. O conteúdo é geralmente gravado em poucos dias. A indústria deste meio já ultrapassou até mesmo a bilheteria de cinema tradicional da China, inaugurando uma nova era do audiovisual.
O modelo funciona da seguinte forma: os primeiros episódios são gratuitos. Na sequência, os próximos são pagos na medida em que há mais espectadores, fisgando e moldando cada vez mais pessoas, que acabam por se tornar clientes.

Foto: reprodução
O comunicado
Devido ao sucesso destas produções, a Administração Nacional de Rádio e TV faz uma campanha de “limpeza” do setor, tendo como alvo principal os enredos de CEO bilionário.
Os motivos: ostentação como valor de vida; relacionamentos tóxicos sendo romantizados; vinganças como projeto a ser alcançado; ficar rico sem trabalhar. Todos estes quesitos, foram classificados como distorções de valores.
Alguns alegam que trata-se apenas de uma novela mas para o Governo da China isto vai muito além. Devido a mais de meio bilhão de pessoas consumindo o produto, para as autoridades isto molda o futuro do país gerando um comportamento nocivo a curto prazo como por exemplo, integrantes de grupos ativos pelo mundo incluindo o Brasil como a “machosfera”.

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O que é valorizado no país asiático pesando no comportamento de sua sociedade:
Games: contém limite de horário para menores
Fã-clubes: existem campanhas contra a idolatria
Algoritmos: há leis obrigando a transparência destes, diferente do mundo ocidental; basta ver o seu feed de sua rede social.
Com regras definidas, a ordem fica desta forma:
Deixa nascer sem regulação;
Espera-se o crescimento;
Entra e organiza nos termos do Estado.
Isto vale para diversos setores como o e-commerce, educação on-line, investimentos e outros.
Pode-se citar o exemplo que ocorreu no setor educacional on-line: em 2021, uma promulgação colocou o reforço escolar como atividade sem fins lucrativos, fazendo gigantes privadas do setor decaírem rapidamente. A prioridade educacional na China é pública e acessível a todos.
Reinvenção das produções
Você pode estar se perguntando:
– E os microdoramas com este tema? Acabaram?
A resposta é: não! A regulação (diferente de censura) é redirecionar e não “matar”. Os produtores se vendo sem saída, tiveram que mudar o enredo para temas que não incentivem comportamentos tóxicos ou moldá-los para alertar o perigo de seguir por este caminho, sem mudar a história original.
Muitos apps chineses voltados para estas produções são baixados no Brasil e estão entre os mais consumidos também nos EUA. Ao contrário do que muitos esperavam, as plataformas após as medidas não reclamaram e sim ajustaram as suas produções, seguindo com os seus lucros anteriores. Esta é a visão chinesa sobre o mundo atual.
Em resumo o cenário ficou assim: setor privado de audiovisual lucrando; enredos mais saudáveis; regulação presente; exportação para o mundo em franca ascensão.
Fonte: @destinochina
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