Siso escondido pode virar problema? Entenda quando a extração é indicada

Saúde

Dra. Natália Janardi explica por que nem todo siso incluso precisa ser retirado e quais situações podem indicar a necessidade de extração

Chegar à vida adulta sem ver o dente do siso nascer não significa necessariamente que ele não exista. Em algumas pessoas, o terceiro molar permanece parcial ou totalmente retido na gengiva ou no osso, condição conhecida como siso incluso ou impactado. E, mesmo sem aparecer na boca, ele merece atenção.

Os sisos são geralmente os últimos dentes permanentes a nascer. Por isso, podem encontrar pouco espaço disponível na arcada dentária e permanecer escondidos ou surgir apenas parcialmente. A dúvida que costuma aparecer nesses casos é se todo dente nessa condição precisa ser retirado.

Segundo a cirurgiã-dentista Dra. Natália Janardi, não existe uma indicação automática de cirurgia apenas porque o siso não nasceu.

“Nem todo siso incluso precisa ser extraído. Existem pacientes que passam anos com esse dente sem apresentar qualquer alteração. O que precisamos avaliar é a posição dele, o espaço disponível, a relação com os outros dentes e se existe algum sinal de que ele possa estar causando ou favorecendo algum problema”, explica.

Não sentir dor não significa que o siso pode ser ignorado

Um dos principais motivos para manter o acompanhamento odontológico é que algumas alterações podem se desenvolver sem provocar sintomas no início. Dependendo da posição do terceiro molar, podem ocorrer inflamações, infecções, cáries, comprometimento periodontal e danos ao segundo molar, localizado imediatamente à frente do siso.

“Às vezes o paciente chega dizendo que nunca sentiu nada e se surpreende quando encontramos uma alteração no exame. A dor é um sinal importante, mas não é o único parâmetro que usamos. Por isso, a avaliação clínica associada aos exames de imagem é tão importante”, afirma Natália.

Quando o siso nasce apenas parcialmente, outro problema pode aparecer: a dificuldade de higienização. Uma parte do dente fica exposta enquanto a outra permanece coberta pela gengiva, criando uma região onde resíduos e bactérias podem se acumular com maior facilidade.

Esse quadro pode favorecer a pericoronarite, inflamação dos tecidos ao redor do terceiro molar, que pode provocar dor, inchaço, vermelhidão, gosto desagradável na boca e dificuldade para mastigar ou abrir a boca.

“Quando o siso está parcialmente erupcionado, muitas vezes o paciente não consegue higienizar aquela região adequadamente. Isso pode gerar episódios repetidos de inflamação. Quando essas intercorrências começam a acontecer com frequência, precisamos avaliar se manter o dente ainda é a melhor opção”, explica a dentista.

Como descobrir se existe um siso escondido?

Quando o terceiro molar não aparece na boca, exames de imagem permitem verificar se ele está presente e qual é a sua posição. A radiografia panorâmica costuma fazer parte dessa investigação e, dependendo do caso, outros exames podem ser necessários para um planejamento mais detalhado.

O siso pode estar na vertical, inclinado em direção ao segundo molar ou até praticamente deitado dentro do osso. Também é importante observar sua proximidade com estruturas anatômicas, especialmente nos sisos inferiores.

“Não olhamos apenas se o dente nasceu ou não. Precisamos entender exatamente onde ele está e como está posicionado. Um siso inclinado contra o dente vizinho, por exemplo, exige uma atenção diferente de um terceiro molar totalmente incluso, bem posicionado e sem qualquer alteração ao redor”, esclarece Natália.

Quando a extração é indicada?

Dor recorrente, episódios de infecção ou inflamação, cáries de difícil tratamento, doença periodontal, presença de alterações como cistos e comprometimento do dente vizinho estão entre as situações que podem pesar a favor da retirada.

Já quando o siso está completamente incluso, não apresenta doença e não oferece sinais de comprometimento das estruturas próximas, a decisão pode ser diferente. A indicação deve considerar cada paciente individualmente.

“Não existe uma regra de que chegou determinada idade e todos os sisos precisam sair. Da mesma forma, não devemos pensar que, porque nunca doeu, aquele dente nunca precisará de atenção. A decisão é individual e precisa considerar o benefício da extração e também os riscos envolvidos na cirurgia”, ressalta.

Nos casos em que a escolha é manter o terceiro molar, o acompanhamento continua sendo importante. Consultas periódicas permitem observar se houve alguma mudança na região e reavaliar a conduta caso apareçam novas alterações.

“Se o dentista entende que aquele siso pode permanecer, isso não significa simplesmente esquecer que ele está ali. O ideal é acompanhá-lo. Dessa forma, conseguimos perceber mudanças e agir caso apareça alguma indicação para tratamento ou extração”, finaliza a Dra. Natália Janardi.

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