
Direção: Ingmar BergmanCom: Ingrid Thulin, Bibi Andersson, Eva Dalbeck, Max von Sydow, Erland Josephson e Barbro Hiorth af Ornäs
O mestre sueco é conhecido por ser um bom diretor de atrizes e, ao mesmo tempo, um homem sensível às questões femininas.Nessa obra pouco divulgada, um tema sensível é abordado com delicadeza: a maternidade.Um conto de Ulla Isaksson inspirou o roteiro, que, por sua vez, é filmado como uma peça teatral. A ação se passa dentro da ala obstétrica de um hospital, em um período de 24 horas.Bergman veio do teatro, nunca o abandonou, e seus filmes refletem isso.
Ser mãe deveria ser uma opção e no momento escolhido. Filhos não salvam casamentos, e, enquanto existem mulheres que desejam ardentemente isso, outras não querem… Justamente por abordar esses fatos e por datar do final da década de 1950, torna-se uma obra ousada.A cena inicial é de uma mulher, Cecilia, dando entrada devido a um aborto espontâneo. As outras três nos serão apresentadas depois.Uma jovem solteira e grávida, Hjördis, não sabe se quer ter a criança e tem medo de contar aos pais. Stina, casada, saudável e muito feliz com a gestação, está entrando no décimo mês. Temos também a enfermeira Brita, uma figura maternal, que pode ser dura e seca em alguns momentos.E várias facetas de como as mulheres lidam com essa questão são expostas: Cecilia, que perde seu bebê, na verdade queria salvar seu casamento, para, no final, descobrir que nem queria mais estar casada.Hjördis queria muito seu filho, porém, como a sociedade reagiria?O mais belo e interessante é a união das mulheres em sua solidão, já que os homens não têm ideia do que é carregar um ser no ventre e da enorme ansiedade de saber que terão a responsabilidade de criá-lo por, no mínimo, 18 anos.É quando aquela que não quer ser mãe consegue enxergar na outra esse desejo ardente e a aconselha a continuar com a gestação.
As atrizes estão maravilhosas em seus respectivos papéis. Destaque para a cena de parto lancinante e visceral, interpretada por Eva Dalbeck. A câmera, em close, captura sua dor, o que teria levado espectadores ao desmaio nas primeiras exibições na Suécia.Foi o primeiro prêmio conjunto de Melhor Atriz dado a quatro intérpretes no Festival de Cannes. Antes, havia tido um prêmio coletivo de elenco no filme soviético Uma Grande Família (1958). Melhor Direção para Bergman, que também recebeu uma indicação à Palma de Ouro.
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Parabéns pela análise, excelente texto, não vi o filme porém conheço o diretor (profundamente reflexivo em seus temas) e alguns atores/atrizes
Obrigada.
Parabéns pela sua matéria.
Este filme estará na minha lista para assistir.
Este filme eu ainda não assisti do Ingmar Bergman.
Obrigada Samuca!